PERSPECTIVA SEMANAL


Copom entrega alta de juros, mas sinaliza pausa; Fed mantém postura cautelosa

Na Super Quarta da semana passada, o Banco Central do Brasil (BC) surpreendeu ao elevar a Selic em 25 pontos-base, quando grande parte dos economistas — nós incluídos — projetava a manutenção da taxa básica de juros. 

O mercado precificava uma divisão de probabilidades em torno de 60% para alta e 40% para estabilidade, o que reforça o caráter hawkish da decisão.

No entanto, a comunicação que acompanhou a decisão trouxe elementos de suavização. 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC avançou na leitura de desaceleração da atividade econômica, demonstrando mais convicção de que o ritmo da economia vem arrefecendo. 

O comitê também foi explícito ao sinalizar uma pausa, utilizando termos que deixaram clara a intenção de não realizar novo ajuste na próxima reunião. 

Em paralelo, houve uma tentativa de reforçar o compromisso com juros elevados por mais tempo (“higher for longer”), ao inserir a expressão “por um período bastante prolongado” no comunicado da decisão. 

A leitura aqui é que o primeiro sinal de flexibilização futura será a retirada do termo “bastante” — ou seja, o BC se comprometeu a dar um aviso antes de iniciar qualquer processo de corte de juros.

Ainda assim, o esforço de comunicação parece ter perdido parte de sua efetividade. 

A decisão de fechar a porta para uma nova alta da Selic na próxima reunião do Copom contrasta com o discurso de flexibilidade que a autoridade vinha defendendo como essencial para um ambiente de elevada incerteza. 

Embora o argumento seja de que a falta de clareza diminuiu, com a melhora do cenário externo — especialmente nos Estados Unidos — esse ponto parece questionável, considerando a persistência de riscos geopolíticos e a volatilidade do ambiente global. 

No balanço final, a combinação de uma alta de juros com um tom um pouco mais dovish indica uma solução de compromisso diante de um cenário doméstico complexo: de um lado, o desconforto com o nível atual da Selic; de outro, um balanço de riscos para a inflação que segue desafiador. 

Seguimos projetando Selic estável até o final de 2025, com cortes apenas a partir de 2026. Aguardamos a publicação da ata do Copom nesta terça-feira (24) e do Relatório de Política Monetária, na quinta-feira (26), para entender melhor os próximos passos.

Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados, como o esperado. As projeções e os discursos pós-reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) mostraram um grupo dividido. 

Um número maior de dirigentes agora indica preferência por manter os juros estáveis, mas ainda há membros que enxergam espaço para cortes neste ano – com destaque para a fala de Christopher Waller, cotado como possível indicado pelo presidente Donald Trump para a presidência do Fed, sinalizando que um corte dos Fed Funds em julho não pode ser descartado. Nossa avaliação, porém, é que o Fed seguirá em modo “wait and see” ao longo dos próximos meses. 

Mantemos nossa projeção de início dos cortes no quarto trimestre, com dois ajustes de 25 pontos-base até o final de 2025.



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