Quando um fundo de pensão atinge um platô na
quantidade de participantes, a pressão começa a crescer. As patrocinadoras,
sempre querendo diminuir as despesas administrativas, começam o aperto.
No início, o foco é a eficiência. Custos
óbvios são cortados sem diminuir a satisfação dos participantes ou as condições
de trabalho dos colaboradores.
Mas isso nāo trás resultado indefinidamente,
ainda mais em mercados competitivos.
Então, sobram duas opções. A primeira:
reengajar com o mercado em busca de novos participantes, atrair outras
patrocinadoras, inovar, usar os recursos disponíveis para fazer algo melhor.
A
outra opção, de longe a mais comum, apertar ainda mais o cinto, cortar custos,
demandar mais dos colaboradores.
O stress aumenta, se oferece menos aos
participantes, cai a qualidade e se esquece qual foi um dia o foco original da
organização.
Algumas empresas patrocinadoras encerram seus
fundos de pensão e transferem a gestão de seus planos de previdência
complementar para fundos de pensão maiores.
Outras, retiram o patrocínio,
terminam o plano e simplesmente entregam o dinheiro de volta para participantes
ativos e aposentados, que podem escolher portá-lo para um plano individual em
uma seguradora.
Se você é participante de algum plano de
previdência complementar que passou por isso, pode afirmar com sinceridade que
o objetivo da mudança foi entregar mais valor do que antes?
Cory Doctorow, jornalista e escritor
canadense, descreve os becos sem saída monopolistas - inerentes à maioria dos
esquemas corporativos – e porque, de repente, tudo ficou pior.
Essa decadência
nāo resulta da negligência. Na maioria dos casos é a pressão ativa, a troca do
caminho para o bem-estar pela meta de curto prazo de lucrar alguns centavos a
mais.
Quando um fundo de pensāo busca o topo, ele
tem muita clareza sobre o que está fazendo. Ele envolve seus colaboradores e o
mercado em uma dança mútua em direção às possibilidades de melhoria.
Mas quando um fundo de pensāo só está focado
em sobreviver, em apenas se manter no jogo, ele pode obscurecer as
justificativas e negar em vez de admitir, mas ele sabe exatamente a
consequência no longo prazo, do que está fazendo.
Isso deveria nos dizer alguma coisa sobre o
destino dos fundos de pensão de médio e pequeno porte nos proximos anos, cuja
grande maioria é patrocinado por empresas multinacionais.
Fonte: “The Squeeze”, Seth Godin
EDER CARVALHAES DA COSTA E SILVA - atuário
PREVDIGEST