A economia no vai e vem de Trump
Depois de dizer à TV americana CNBC que não iria prorrogar o
cessar-fogo com o Irã, Donald Trump recuou e anunciou que mantém a trégua com o
país do Oriente Médio.
Apesar disso, o republicano determinou que suas Forças Armadas
mantenham o bloqueio do estreito de Hormuz, local que escoa 20% do fluxo global
de petróleo e gás natural liquefeito, além de outros insumos.
Por enquanto, o tráfego segue praticamente paralisado. Dados de
navegação mostraram a passagem de apenas três navios na terça (21), apenas uma
fração da média de 140 embarcações que transitavam diariamente por ali antes do
conflito.
O futuro não parece promissor. Mesmo com a reabertura do estreito,
executivos e analistas do setor energético afirmam que não será possível contar
com ele como antes.
Países da região exploram a construção, a expansão ou a reativação
de infraestruturas que contornam o local. Nações que compram combustível da
região correm para garantir petróleo e gás de outros lugares.
Especialistas acreditam que ações adotadas agora possivelmente
serão duradouras, mas reformular rotas de comercialização será caro, levará
tempo e provavelmente aumentará os preços de energia para os consumidores.
Enquanto isso… A economia segue impactada pelo fechamento do
estreito.
Há uma crise no abastecimento de combustíveis, que atinge em cheio
o setor aéreo. A Agência Internacional de Energia estima que o suprimento acabe
em seis semanas, e companhias aéreas europeias alertam para uma possível
escassez em breve.
A Lufthansa, empresa alemã de aviação, anunciou que cancelará 20
mil voos entre maio e outubro no continente para economizar querosene.
A Europa ainda não enfrentou uma falta generalizada, mas alguns
países asiáticos, como o Vietnã, começaram a racionar o combustível de aviação.
E como está o preço do petróleo?
Chegou a bater os US$ 100 ontem, mas desacelerou após a declaração
de Trump. O barril de Brent, referência global, fechou em US$ 99,06 na terça,
segundo dados da plataforma Investing.
FOLHA MERCADO