Peritos
da PF usam equipamento que quebra senha mesmo com celular desligado; acesso é a
todo conteúdo.
Diferente de outras forças policiais, Polícia Federal possui tecnologia
capaz de extrair dados de aparelhos desligados sem que eles se conectem à rede,
evitando que sejam apagados remotamente. Celulares de Vorcaro e Nelson Tanure
são o foco do temor.
O pânico que tomou conta
de Brasília em relação aos celulares apreendidos na operação do Banco Master
tem uma razão tecnológica específica: a Polícia Federal é o único órgão com
equipamento capaz de acessar o conteúdo de um aparelho mesmo que ele esteja sem
senha e desligado.
Enquanto outras polícias
dispõem de ferramentas para desbloquear telas, a extração de dados de um
telefone desligado é uma barreira técnica muito superior, que apenas a perícia
da PF consegue transpor hoje.
Para realizar esse
procedimento com segurança, os peritos utilizam o conceito de física conhecido
como "Gaiola de Faraday". Trata-se de uma estrutura metálica (que
pode ser uma caixa ou uma bolsa especial) que bloqueia a entrada e saída de
ondas eletromagnéticas.
O procedimento é vital
porque a extração precisa ser feita sem que o aparelho se conecte a nenhuma
rede (Wi-Fi ou dados móveis).
Se o telefone entrasse em rede ao ser ligado, o
conteúdo poderia ser apagado remotamente por quem detém o controle da conta. Dentro
da "gaiola", os peritos manipulam o dispositivo isolado do mundo
exterior, garantindo a integridade da prova.
A tecnologia da PF não
permite meio-termo: ou se extrai tudo, ou nada. Os peritos "baixam" o
conteúdo integral do dispositivo para depois analisá-lo.
Isso significa que
conversas, fotos, e-mails e registros antigos, mesmo que não relacionados
diretamente ao caso, estarão expostos aos investigadores. É essa devassa total
em aparelhos de figuras tão conectadas que explica o clima de terror na capital.
G1