Mesmo com desemprego em baixa, juros altos levam
inadimplência a recordes
- Segundo a Serasa, há 81,2 milhões de inadimplentes; 10,5% a mais em
relação a dezembro de 2024
- Na Equifax Boa Vista, são 59 milhões de CPFs negativado, ante cerca
de 55 milhões no ano retrasado
Indicadores de endividamento e inadimplência
compilados por diferentes birôs de risco terminaram o ano passado em nível
recorde, apesar do desemprego em um patamar de baixa histórica.
De acordo com especialistas que acompanham esses
números, os atrasos nos pagamentos de dívidas pioraram porque a Selic, a taxa
de juros básica da economia, está em um ciclo de alta há um ano e meio, os
prazos para quitar empréstimos encurtaram e os bancos passaram a cobrar mais
pelo crédito.
Segundo a Serasa,
havia 81,2 milhões de inadimplentes no fim de 2025, último dado disponível. É
um aumento de 10,5% em relação a dezembro de 2024.
Os critérios para
considerar uma pessoa inadimplente variam de acordo com a empresa.
Para a
Serasa, isso acontece a partir do momento em que o credor faz a notificação. Em
alguns casos, as contas estão atrasadas há menos de 30 dias.
O
número atual é um recorde, de acordo com Camila Abdelmalack, economista da
Serasa. Ela afirma que, de forma indireta, o mercado de trabalho aquecido até
colaborou com a alta de inadimplência: quando as contratações aumentaram, mais
gente passou a poder financiar compras.
FOLHA DE SÃO PAULO