Economias (ainda) no colchão
Você sabia que muitos argentinos guardam dólares em maletas, vasos de
plantas e até no fundo do armário?
O hábito é tão comum que autoridades do país
estimam que cerca de US$ 170 bilhões estejam fora dos bancos.
🇦🇷 Por quê?
A falta de confiança na moeda local, que desestimula a
poupança em pesos, e episódios traumáticos como o confisco de 2001.
Na época, o governo limitou os saques bancários, medida conhecida como
“corralito”. Também converteu à força depósitos em dólar para a moeda local,
com desvalorização de 75%.
Desde então, as gestões argentinas tentam restaurar a confiança da
população —com tentativas que ainda não fizeram grande diferença.
A hora e a vez de Javier Milei. A falta de dólares é um problema crônico
do país, e o atual presidente está disposto a tentar reverter esse cenário.
Guardado em espécie, o dinheiro deixa de circular no sistema formal, o que
poderia gerar empréstimos e investimentos.
Desde que assumiu, em dezembro de 2023, Milei criou alguns programas
para formalizar a moeda. A confiança nesse governo é a mais alta em décadas: os
depósitos no sistema bancário subiram para quase US$ 40 bilhões.
Sim, mas...
O mais recente esforço, um conjunto de incentivos chamado
Inocência Fiscal, não ganha tração. A medida tenta motivar os argentinos a
trazer poupanças não declaradas de volta ao sistema formar. Para isso,
flexibiliza exigências e reduz o risco de fiscalização das autoridades.
Enquanto isso… A demanda por dólares continua forte. Os cidadãos compram
cerca de US$ 2 bilhões em moeda estrangeira todo mês —um número que pode saltar
para mais de US$ 6 bilhões durante períodos de estresse político, como
eleições.
Autoridades acreditam que cerca de 10% dessas compras são mantidas em
espécie, escondidas em casa ou em cofres, ou transferidas para o exterior.
FOLHA MERCADO