'Por Que Estudar Economia?' vai de guia para
estudante a manual para leigos
- Livro é uma parceria entre o economista Fabio Giambiagi e
especialista em previdência Arlete Nese
- Obra também discute IA e mostra que existe vida na profissão além
da Faria Lima
Escrever
um livro cujo título é uma pergunta pode ser um tanto arriscado em um momento
em que as pessoas recorrem a agentes de inteligência artificial para encontrar
uma resposta. Principalmente se o texto tem como público-alvo estudantes
da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010).
"Por
Que Estudar Economia?", parceria do economista Fabio
Giambiagi e da doutora em administração Arlete Nese, oferece ao menos dez
argumentos para atrair adeptos à profissão.
Para entender o Brasil, o mundo e a
própria economia. Lidar bem com números. Aprender a pensar melhor, ser versátil
e multitarefas. Encarar a IA. Compreender os diversos lados de uma questão e,
por fim, quem sabe, cair na vida com uma boa remuneração.
Todas essas respostas são apresentadas junto a
pequenas aulas de economia, relatos de vivências pessoais e menções históricas,
no formato de uma conversa com o leitor.
Um estilo que um dos autores
(Giambiagi) diz ter sido escolhido para oferecer um diferencial ao leitor
—muitos deles já nascidos no mundo digital.
A proposta inicial era ser justamente uma espécie
de guia para estudantes na faixa de 16 ou 17 anos que precisam escolher uma
faculdade. Mas o escrito foi ampliado deliberadamente para que pudesse ser útil
também aos profissionais de qualquer área que precisam compreender melhor o
assunto —inclusive jornalistas.
Ou para pessoas que gostariam de entender
melhor o que esses jornalistas escrevem nos cadernos de economia, como este
aqui.
Uma preocupação dos autores, aliás, foi fazer um
livro que não servisse somente a uma vertente do pensamento econômico.
"Esse é um livro que pode ser lido por quem vai fazer Unicamp, UFRJ, PUC
etc. Queremos conversar com quem vai frequentar qualquer igreja. Não quero
estabelecer distinção", afirma Giambiagi.
Questionado sobre como vê hoje a profissão, em
relação ao que ela representava há quatro décadas, ele afirma enxergar um
amadurecimento dos profissionais no sentido de entender que o papel do
economista é subsidiário ao processo decisório dos destinos do país. "É
fazer diagnósticos e apresentar propostas. A decisão política é tomada por quem
tem a legitimidade de quem for eleito."
FOLHA DE SÃO PAULO