Ensino superior perde
espaço no mercado
Indústria, construção e comércio fecharam 34 mil vagas de profissionais
graduados, conforme estudo da FGV
A reunião do Copom
de amanhã e quarta-feira acontece em meio a um novo choque do petróleo, um fato
recorrente que desencadeia pressões inflacionárias e ameaça o crescimento
da economia mundial.
Até o início da
guerra no Irã, em 28 de fevereiro, estava posto que o Banco Central iniciaria a
temporada de redução dos juros.
Mas o cenário para
a inflação mudou para pior.
O preço do barril
de petróleo tipo Brent saltou de US$ 77 no dia 27 de fevereiro para mais de US$
100 na semana passada.
Chegou a ser negociado a US$ 119 nos dias 8 e 9 de
março. Não se sabe quando a guerra acabará, quando o trânsito de petroleiros
pelo Estreito de Ormuz – por onde passa 20% da produção mundial de petróleo –
será normalizado e, portanto, quando os preços se estabilizarão; nem em qual
nível.
Incertezas são
parte da rotina das autoridades monetárias na hora de decidir sobre juros.
A questão nesse
caso em particular é que o choque de preços é muito recente. Antes dele havia a
convicção de que a inflação estava em lento recuo, o que permitia alguma
redução na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.
Agora, o Banco Central tem de
lidar com a perspectiva de petróleo mais caro por tempo indeterminado e sem ter
ainda à disposição indicadores suficientes para tentar calcular os efeitos
futuros
na inflação.
Sabe-se que esses efeitos virão. O preço do petróleo se disseminar rapidamente
pelas cadeias produtivas e impacta os preços ao consumidor. Apenas recentemente
as projeções haviam voltado a indicar inflação dentro da meta de
3%, com intervalo de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.
Na semana passada,
as primeiras projeções do mercado já levavam esse número para perto de 5%, de
volta para fora da meta que o BC tem de perseguir.
Até o final de
fevereiro, o Banco Central tinha em seu cenário uma política fiscal
expansionista por parte do governo, que alimenta a inflação, e não
vai mudar no médio
prazo. Agora, soma-se a isso um choque inflacionário em escala mundial, causado
por uma das principais fontes de energia, com capacidade de rápida disseminação
pelos preços.
É um cenário mais
pessimista, que deixa menor espaço para eventuais cortes nos juros.
Autoridades
monetárias precisam, antes de tudo, ter coragem de tomar as medidas necessárias
para manter a estabilidade da economia.
Em momentos de incerteza, a cautela de
esperar pela evolução do cenário pode ser um sinal de coragem.
O Copom tem uma
decisão difícil à frente.
O mercado de
trabalho no País se mantém robusto e resiliente, com abertura líquida de vagas
com carteira assinada em 2025, mas em menor quantidade do que nos anos
anteriores.
Num cenário em que a população ocupada segue renovando
recordes, a formalização deveria ter espaço para avançar e melhorar a qualidade
do conjunto de empregos existentes.
Em 2025, o mercado
formal criou 1.279.448 vagas, 398 mil postos a menos do que em 2024, uma queda
de 23,7%. Apenas 1,9% desses novos postos de trabalho foram vagas com ensino
superior completo: 24.513.
O ESTADO DE SÃO PAULO