Análise: Principais economias
globais definem taxas de juros nesta semana.
As
autoridades monetárias de algumas das maiores economias do planeta se reunirão
nesta semana para decidir as taxas de juros de seus respectivos países.
A
semana começa com as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, ambas
previstas para quarta-feira (21), enquanto Inglaterra e Japão farão seus
anúncios na quinta-feira (22).
No
Brasil, o ciclo de alta dos juros se aproxima do fim, com o mercado apostando
em uma alta de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião desta semana, o que
elevaria a taxa a 14% ao ano.
Feito isso, o Banco Central (BC) deve manter os
juros em alta ao longo deste ano e de parte de 2023, visando conter a inflação e garantir que ela convirja para a
meta no próximo ano.
Nos
Estados Unidos, a situação ainda é um pouco mais complexa.
O Federal Reserve
(Fed, o banco central dos EUA) deu início ao atual ciclo de alta dos juros em
março deste ano, e a elevação das taxas ainda não surtiu o efeito esperado na
economia.
Portanto, espera-se uma alta de 0,75 ponto percentual dos juros na
maior economia do planeta, elevando as taxas para o patamar entre 3% e 3,25% ao
ano - e a alta não deve parar por aí.
No
Reino Unido, a população tem sofrido com uma crise inflacionária severa,
marcada principalmente pela disparada dos preços da energia.
Com uma inflação
acumulada de 9,9% nos últimos 12 meses, espera-se que o Bank of England (BoE, o
banco central do Reino Unido) eleve os juros em 0,5 ponto percentual, para
2,25% ao ano.
Por
fim, o Japão -provavelmente o caso mais atípico da lista- deve manter sua taxa
de juros em -0,1% ao ano.
Você não leu errado, a taxa básica de juros no Japão
é negativa, uma vez que o país conta com uma inflação relativamente muito baixa
e sofre com o ritmo lento de crescimento da sua economia.
Para
tentar incentivar o crescimento, o banco central japonês se mune de juros
negativos, o que estimula o crédito e o consumo, enquanto desestimula o
investimento em ativos de renda fixa.
Todas
essas reuniões de política monetária serão importantes para os mercados nesta
semana, mas os encontros nos EUA e aqui no Brasil são os que exercem maior
influência sobre a Bolsa brasileira.
Por
aqui, parece não haver espaço -nem necessidade- para grandes surpresas, e o
Copom deve confirmar as projeções do mercado.
Nos
Estados Unidos, por outro lado, a situação é mais incerta, e não dá para cravar
o que decidirão os membros do Fed.
Uma alta de 0,75 ponto percentual parece o
mais provável, mas uma elevação maior ou menor não está fora de cogitação.
Caso
os juros venham acima do esperado, os mercados globais devem reagir
negativamente no curto prazo, já que uma alta mais vertiginosa alimenta as
apostas em uma recessão nos Estados Unidos.
UOL ECONOMIA