PERSPECTIVA SEMANAL


Argumentos de Miran, do Fed, mostram seu viés dovish.

O mais novo membro do Board of Governors do Federal Reserve, órgão central do Banco Central dos Estados Unidos , é Stephen Miran, que foi aprovado na semana retrasada e teve voto divergente na reunião do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) de 17 de setembro, optando por um corte de 50 pb na taxa básica de juros norte-americana.

Na semana passada, Miran apresentou seus argumentos para essa posição. 

Segundo ele, diversos fatores sugerem que a taxa neutra de juros – aquela que mantém a inflação estável na ausência de choques – teria caído nos últimos meses. 

A lógica é simples: quando os juros estão acima dessa taxa, a inflação tende a cair; quando estão abaixo, tende a subir.

Para Miran, um dos principais elementos que deve pressionar a taxa neutra para baixo é a mudança na política migratória. 

O fluxo anual de imigrantes nos EUA, que girava em torno de 2 milhões por ano durante o governo do ex-presidente Joe Biden, teria caído para próximo de zero sob o governo do presidente Donald Trump. 

Essa reversão pode diminuir pressões no mercado imobiliário, reduzindo a inflação de aluguéis, e alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de poupança e investimento, já que o envelhecimento da população aumenta a taxa de poupança e diminui o consumo.

Além da questão migratória, Miran avalia que a política tarifária e fiscal de Trump também tende a reduzir a taxa de juro neutra. 

As tarifas elevadas, segundo ele, contribuem para melhorar o resultado fiscal americano ao diminuir o déficit e reduzir a necessidade de emissão de títulos públicos.

Miran também destaca a aprovação do One Big Beautiful Bill Act, em meados deste ano, como um fator que amplia o crescimento potencial da economia sem comprometer a arrecadação do governo. 

Na visão dele, o projeto de lei ajuda a conter o déficit público e, consequentemente, pressiona para baixo a taxa de juros neutra.

Um argumento semelhante é aplicado às mudanças regulatórias promovidas por Trump, especialmente no setor energético, que teriam o efeito de aumentar o PIB potencial.

Miran também estima que a taxa de juro neutra pode ter recuado cerca de 200 pbs, situando-se entre 2,00% e 2,50% a.a., bem abaixo dos 4,25% em que ela se encontrava há duas semanas. 

Nesse cenário, cortes mais agressivos, de cerca de 50 pb por reunião, seriam justificados.

Os argumentos de Miran nos parecem muito otimistas em várias premissas. 

No campo fiscal, por exemplo, ele se apoia em estimativas do Council of Economic Advisors, ligado a Trump, enquanto projeções de institutos independentes fazem contas diferentes e chegam à conclusão contrária: os déficits do governo tendem a piorar, não a melhorar, mesmo com essas medidas. 

Em nossa avaliação, cortes graduais de 25 pb por reunião são mais plausíveis, e dificilmente a maioria dos outros membros do FOMC será convencida pelos argumentos de Miran. 

Ainda assim, suas colocações evidenciam o viés mais dovish das indicações feitas por Trump ao Fed em seu segundo mandato.

Destaques da semana

Brasil:

A agenda doméstica terá como destaques dados de atividade econômica, tais como PNAD, CAGED e a Pesquisa Industrial Mensal, ambos de agosto.

•    Segunda-feira: IGP-M (setembro); Relatório Focus; Balança Comercial Semanal; Dados de Crédito (agosto); Resultado Primário do Governo Central (agosto); CAGED (agosto); Lançamento da Pesquisa Firmus do Banco Central.

•    Terça-feira: Resultado Primário (agosto); PNAD (agosto).

•    Quarta-feira: FGV CPI IPC-S (4ª semana de setembro).

•    Quinta-feira: Fenabrave (setembro).

•    Sexta-feira: Pesquisa Industrial Mensal (agosto

Estados Unidos:

A agenda da semana concentra dados de atividade, mercado de trabalho e diversos discursos de dirigentes do Fed.

•    Segunda-feira (29): Discursos de Christopher Waller, Beth Hammack e Raphael Bostic (Fed); Vendas de Casas Pendentes (agosto).

•    Terça-feira (30): Discursos de Philip Jefferson, Lorie Logan, Austan Goolsbee e Susan Collins (Fed); FHFA – Índice de Preços de Casas (julho); JOLTS (agosto); Índice de Serviços do Fed Dallas (setembro).

•    Quarta-feira (01/10): Relatório ADP de Emprego (setembro); PMI Industrial (setembro); ISM Industrial (setembro); Gastos com Construção (agosto); discurso de Mary Daly (Fed).

•    Quinta-feira (2): Pedidos Semanais de Seguro-Desemprego; Encomendas à Indústria (agosto); Encomendas de Bens Duráveis (agosto); discurso de Logan (Fed).

•    Sexta-feira (3): Discursos de John Williams e Jefferson (Fed); Payroll (setembro); Taxa de Desemprego (setembro); PMI de Serviços (setembro).

Europa

O foco estará em dados de inflação e de atividade econômica da Zona do Euro, e nos intensos discursos de membros do Banco Central Europeu (BCE).

•    Segunda-feira: Discursos de Madis Muller, Piero Cipollone, Mário Centeno, Joachim Nagel e Philip Lane (BCE); Confiança do Consumidor da Zona do Euro (setembro).

•    Terça-feira: Vendas no Varejo da Alemanha (agosto); PIB do 2º trimestre do Reino Unido); Taxa de Desemprego da Alemanha (setembro); CPI da Alemanha (setembro); discursos de Cipollone, Nagel e Christine Lagarde (BCE).

•    Quarta-feira: Discursos de Muller, Peter Kazimir, Gediminas Simkus, Martin Kocher, Luis de Guindos e Nagel (BCE); PMI Industrial da Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido (setembro); CPI da Zona do Euro (setembro).

•    Quinta-feira: Taxa de Desemprego da Zona do Euro (agosto); discurso de Guindos (BCE).

•    Sexta-feira: PMI de Serviços da Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido (setembro), PPI da Zona do Euro (agosto); discursos de Olaf Sleijpen, Lagarde, François Villeroy e Isabel Schnabel (BCE).

Ásia:

Os destaques recaem sobre dados de atividade econômica do Japão e da China.

•    Terça-feira: Produção Industrial do Japão (agosto); PMIs de Serviços e Industrial da China (setembro); Vendas no Varejo do Japão (agosto).

•    Quarta-feira: Pesquisa Trimestral Tankan (Japão); PMI Industrial do Japão (setembro).

•    Sexta-feira: Taxa de Desemprego do Japão (agosto); PMI de Serviços do Japão (setembro).

 



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