PERPECTIVA SEMANAL


Incerteza pós-eleições e as sinalizações do quarto mandato do presidente Lula

O desfecho do segundo turno das eleições presidenciais consolidou uma virada inédita no histórico eleitoral brasileiro. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com uma margem de 4,4 milhões de votos, revertendo a desvantagem de 2,3 milhões registrada no primeiro turno. 

Essa dinâmica foi sustentada por uma combinação de eventos atípicos: a primeira derrota de um candidato líder no primeiro turno na história recente, a maior queda de abstenção entre turnos desde 1989 — atingindo o menor patamar para um segundo turno desde 2006 —, o menor nível de votos brancos e nulos da série histórica e uma captura expressiva dos votos direcionados a outros candidatos.

A concretização desse resultado, avaliado até então como o caminho menos provável, desencadeou um movimento imediato de aversão ao risco e forte reprecificação dos ativos domésticos. A reação dos investidores reflete a percepção de conti

nuidade de um panorama fiscal frágil e a ausência de clareza sobre as prioridades econômicas do quarto mandato presidencial, justamente em um momento em que a sustentabilidade da trajetória da dívida pública exige sinalizações claras.

Nesse contexto, o comportamento do prêmio de risco nas próximas semanas será balizado por quatro checkpoints institucionais. 

Os dois primeiros concentram-se na governabilidade e na gestão fiscal imediata: a definição do equilíbrio de forças no novo mandato — refletida na escolha dos nomes para o Ministério da Fazenda, na composição da equipe econômica e na estratégia de articulação política — e a condução do Orçamento de 2027. 

O mercado monitorará se haverá tentativa de aprovação de medidas ainda neste ano, aproveitando a base atual antes da posse de um Congresso com perfil mais conservador, com destaque para a nova composição do Senado.

Os outros dois vetores incidem diretamente sobre a política monetária e a credibilidade institucional. O terceiro ponto envolve a definição das vagas abertas na diretoria do Banco Central — duas no curto prazo e outras duas no início do próximo ano —, o que servirá de termômetro para os planos relativos à autonomia e ao perfil da autoridade monetária. 

Por fim, monitora-se a possibilidade de reabertura do debate sobre as metas de inflação, movimento que, caso ganhe força, tem o potencial de trazer forte ruído entre os investidores, sobretudo estrangeiros.

Em suma, superada a disputa nas urnas, a atenção dos agentes econômicos migra inteiramente para o teor das primeiras mensagens do novo governo. 

A definição do compromisso com a sustentabilidade fiscal e a preservação dos pilares institucionais serão determinantes para indicar se o ajuste recente nos preços dos ativos foi conjuntural ou se haverá restrições estruturais adicionais ao câmbio e ao plano de voo dos juros à frente.

Destaques da semana

Brasil

No Brasil, a semana reserva divulgações relevantes de indicadores macroeconômicos e do mercado de trabalho. Entre os destaques estão o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) e dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), na quinta-feira, seguidos pelos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua e do Resultado Primário, na sexta-feira.

•      Segunda-feira: Relatório Focus; Confiança do Consumidor da FGV (outubro); Conta Corrente (setembro); Dívida Pública Federal Total (setembro); Balança Comercial Semanal (4ª semana de outubro).

•      Terça-feira: Índice de Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) (3ª semana de outubro).

•      Quarta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

•      Quinta-feira: Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) (outubro); Resultado do Governo Central (setembro); Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) (setembro); Dados de crédito (setembro).

•      Sexta-feira: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua (setembro); Resultado Primário (setembro).

Estados Unidos

A semana nos Estados Unidos terá como grandes destaques a decisão sobre a taxa de juros pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na quarta-feira, a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre e o Deflator do PCE, na quinta-feira.

O mercado também irá monitorar dados de Encomendas de Bens Duráveis, Confiança do Consumidor, leilões de títulos do Tesouro, Chicago PMI e discurso de dirigente do Federal Reserve (Fed).

•      Segunda-feira (26): Índice de Atividade Nacional do Fed Chicago (setembro); Índice da Indústria do Fed Dallas (outubro); leilão de Bonds de 2 Anos.

•      Terça-feira (27): Concessões de Alvarás (setembro final); Encomendas de Bens Duráveis (setembro preliminar); Índice de Preço de Casas da FHFA (agosto); Confiança do Consumidor do Conference Board (outubro); Índice de Atividade da Indústria do Fed Richmond (outubro); Vendas de Novas Casas (setembro); Índice de Serviços do Fed Dallas (outubro); leilão de Bonds de 5 Anos.

•      Quarta-feira (28): Decisão de Taxa de Juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC); Estoques do Atacado (setembro preliminar); Balança Comercial (setembro preliminar).

•      Quinta-feira (29): Produto Interno Bruto (PIB) (terceiro trimestre avançado); Deflator do PCE (setembro); Renda Pessoal (setembro); Pedidos de Seguro-Desemprego Semanal; Leilão de Bonds de 7 Anos.

•      Sexta-feira (30): Chicago PMI (outubro); discurso de Mary Daly (Fed)

Europa

Na Europa, os holofotes estarão voltados para a decisão de taxa de juros do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, seguida por uma série de dados cruciais na sexta-feira, incluindo a leitura prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e de dados d desemprego na Zona do Euro e na Alemanha. A agenda contempla ainda a Pesquisa IFO de Clima de Negócios e indicadores de confiança do consumidor.

•      Segunda-feira: Pesquisa de Clima de Negócios IFO da Alemanha (outubro).

•      Terça-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

•      Quarta-feira: Confiança do Consumidor GfK da Alemanha (novembro).

•      Quinta-feira: Decisão de Taxa de Juros do Banco Central Europeu (BCE); Confiança Econômica da Zona do Euro (outubro); Crédito ao Consumidor do Reino Unido (setembro).

•      Sexta-feira: Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha (terceiro trimestre preliminar); Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Alemanha (outubro preliminar); Taxa de Desemprego da Alemanha (outubro); Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro (terceiro trimestre avançado); Taxa de Desemprego da Zona do Euro (setembro); discurso de Philip Lane (BCE).

Ásia

Na Ásia, a agenda destaca os dados de Lucros Industriais na China e as eleições legislativas em Israel, ambos na terça-feira. No Japão, as atenções se concentram no encerramento da semana com uma forte bateria de indicadores econômicos, incluindo a inflação medida pelo Tokyo CPI, Vendas no Varejo, Produção Industrial preliminar e a Taxa de Desemprego.

•      Segunda-feira: Indicador Antecedente do Japão (agosto final).

•      Terça-feira: PPI de Serviços do Japão (setembro); Lucros Industriais da China (setembro); eleições em Israel.

•      Quarta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

•      Quinta-feira: Confiança do Consumidor do Japão (outubro).

•      Sexta-feira: Tokyo CPI do Japão (outubro); Taxa de Desemprego do Japão (setembro); Vendas no Varejo do Japão (setembro); Produção Industrial do Japão (setembro preliminar); Início de Construção de Casas do Japão (setembro).

 



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