ENVELHECIMENTO


Amigos e vizinhos também ajudam a cuidar de idosos, mostram pesquisas nos EUA.

  • Participantes idosos de estudo publicado na Jama apontam amigos e vizinhos como pessoas que lhes prestam ajuda
  • Aqueles que não têm laços de parentesco, no entanto, dedicam menos horas ao cuidado do que familiares

O cuidado de idosos, geralmente considerado uma obrigação familiar, está evoluindo para se adaptar a mudanças demográficas que tornam menos garantido o apoio de cônjuges e filhos.

"O número de idosos que nunca se casaram ou que são divorciados vem aumentando, por isso temos mais pessoas envelhecendo sozinhas", diz Deborah Carr, socióloga da Universidade de Boston que estuda essas tendências.

"A proporção dos que não têm filhos, por escolha ou não, também está crescendo", acrescenta ela, e as famílias que têm filhos hoje têm menos do que nas gerações anteriores.

As distâncias geográficas e os rompimentos familiares também ajudam a alimentar a necessidade de outros tipos de cuidadores —funções que podem ser desempenhadas por amigos ou vizinhos.

Com que frequência os amigos preenchem essas lacunas no cuidado? 

Um estudo publicado recentemente no Jama Network Open, conduzido por pesquisadores da Universidade de Michigan, investigou amigos e vizinhos que atuam como cuidadores, geralmente em funções complementares.

Os pesquisadores usaram dados do Estudo Nacional sobre Tendências de Saúde e Envelhecimento (nos EUA), no qual mais de 2.600 idosos com limitações de saúde — com idade média de 79 anos — identificaram amigos e familiares que lhes prestavam ajuda.

Os familiares eram os mais propensos a cuidar de parentes idosos, mas cerca de 14% dos participantes também mencionaram amigos, incluindo vizinhos. Isso representa 2,4 milhões de amigos cuidadores em todo o país, estimaram os autores.

O estudo, que se acredita ser a primeira análise em âmbito nacional dos EUA sobre amigos cuidadores, constatou que eles atuavam de maneira diferente dos parentes. 

Por exemplo, é improvável que morem com a pessoa que ajudam e raramente são seus únicos cuidadores.

"Eles dedicam menos horas ao cuidado", diz Yee To Ng, gerontólogo e principal autor do estudo, que constatou que os amigos prestavam, em média, 18 horas de ajuda por mês, em comparação com cerca de 67 horas prestadas por familiares.

Eles também ajudam de formas diferentes. "Os amigos têm maior probabilidade de ajudar com o transporte", diz Ng. 

Dois terços dos amigos cuidadores levam seus amigos de carro; fazer compras, ajudar as pessoas a sair de casa, preparar refeições e acompanhar pacientes a consultas médicas completam a lista das cinco tarefas mais comuns.




THE NEW YORK TIMES
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