Guerra reforça
ciclo de cortes mais curto para a Selic.
A recente
volatilidade na precificação da Selic entre cortes de 0,25 e 0,50 pontos
porcentuais em março reflete o aumento da incerteza gerado pela alta do
petróleo e pelo quadro geopolítico com a guerra entre Irã, Estados Unidos e
Israel.
Por bastante tempo, nosso cenário-base foi de corte de 0,50 pontos em
março, com um orçamento total de 2 pontos de redução ao longo do ciclo, levando
a Selic a 13%.
Esse sempre foi um cenário mais conservador que o do mercado,
pois já incorporava um ambiente externo mais incerto.
Com a migração do Focus e
da precificação de mercado para 0,25 pontos, revisamos a projeção para março
nessa direção, mas sem alterar nossa leitura principal de que o espaço para
cortes é mais limitado do que o consenso sugere.
A razão para esse
ciclo mais curto está, na nossa visão, para a atividade. Seguimos mais
otimistas que o mercado e o Banco Central para o crescimento de 2026, com
projeção de 2% de PIB, acima dos 1,6% do último Relatório de Política Monetária
e do que aparece hoje no Focus.
Na prática, isso significa uma leitura mais
pressionada para o hiato do produto no primeiro semestre, o que tende a ser
menos benigno para a inflação.
Mais à frente, no segundo semestre, esse quadro
ainda pode esbarrar em um ambiente de maior volatilidade nos mercados, à medida
que o processo eleitoral ganhe força.
Ao juntar esses
fatores, a conclusão é que o ciclo de cortes de juros pode até ocorrer, mas
tende a ser menor.
Neste processo, o Banco Central pode ser levado a rever sua
leitura sobre atividade e hiato, enquanto a inflação pode voltar a mostrar
alguma pressão. Por isso, mantemos a Selic terminal em 13%.
A guerra não mudou
esse cenário central, mas reforçou sua lógica. O principal efeito foi sobre a
assimetria de riscos: antes, havia espaço para discutir um ciclo mais acelerado
e uma taxa terminal abaixo de 13%, especialmente com câmbio mais valorizado.
Com a guerra, essa possibilidade perdeu força.
A alta do petróleo
impacta a economia brasileira principalmente porque interrompe a melhora
recente das expectativas de inflação. Já havia agentes projetando inflação
abaixo de 4% em 2026, e o Focus mostrava queda gradual dessas projeções.
O
choque atual dificulta esse movimento, seja pelo risco de alta de combustíveis
ou pelos canais indiretos, como fertilizantes e alimentos. Ao mesmo tempo, a
curva do petróleo sugere alguma normalização futura, já que os contratos para
seis a 12 meses sobem menos do que o preço à vista.
Ainda assim, trata-se de um
ambiente em que a incerteza é alta, porque o desfecho depende menos da lógica
econômica e mais de decisões políticas e estratégicas difíceis de antecipar.
Nesse contexto, a
tendência é de que o Banco Central adote uma postura cautelosa na comunicação.
Como ainda há tempo até a próxima reunião, não parece fazer sentido assumir
compromissos agora diante de um choque cujo efeito pode durar apenas algumas
semanas.
A comunicação, portanto, deve enfatizar a incerteza e preservar o
máximo possível de flexibilidade, com o mínimo de indicação futura sobre os
próximos passos da política monetária.
Destaques da
semana
Brasil
No cenário
doméstico, a atenção se volta para a decisão da taxa de juros (taxa Selic), o
índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) e as leituras semanais
de inflação e balança comercial.
• Segunda-feira: IPC-S (2ª semana de março);
Relatório Focus; Balança Comercial (2ª semana de março); IBC-Br (janeiro).
• Terça-feira: FIPE CPI (2ª semana de março).
• Quarta-feira: Decisão da Taxa de Juros.
Estados Unidos:
A agenda
norte-americana será focada na decisão da taxa de juros. Ademais, serão
divulgados indicadores de atividade industrial, dados do setor imobiliário e
índices de preços ao produtor.
• Segunda-feira (16): Índice Empire
Manufacturing (março); Produção Industrial (fevereiro).
• Terça-feira (17): ADP Semanal; Indicador
Antecedente (fevereiro); Vendas de Casa Pendentes (fevereiro).
• Quarta-feira (18): PPI (fevereiro);
Encomendas à Indústria (janeiro); Encomendas de Bens Duráveis (final de
janeiro); Decisão da Taxa de Juros.
• Quinta-feira (19): Índice de Atividade de
Serviços do Fed Filadélfia (março); Estoques do Atacado (final de janeiro);
Vendas de Novas Casas (janeiro).
Europa
O calendário
europeu destaca as decisões da taxa de juros no Reino Unido e na Zona do Euro,
além de pesquisas de sentimento, índices de inflação e dados do mercado de
trabalho.
• Terça-feira: Pesquisa Zew da Alemanha
(março); Pesquisa Zew da Zona do Euro (março).
• Quarta-feira: CPI da Zona do Euro (final de
fevereiro).
• Quinta-feira: Taxa de Desemprego do Reino
Unido (janeiro); Decisão da Taxa de Juros da Zona do Euro; Decisão da Taxa de
Juros do Reino Unido.
• Sexta-feira: PPI da Alemanha (fevereiro);
discurso de Joachim Nagel (BCE).
Ásia
A semana na Ásia é
marcada por decisões de taxa de juros no Japão e anúncios na China, além de
indicadores de produção industrial, vendas no varejo e balança comercial.
• Segunda-feira: Vendas no Varejo da China
(fevereiro); Produção Industrial da China (fevereiro).
• Terça-feira: Balança Comercial do Japão
(fevereiro); Decisão da taxa de juros da Austrália.
• Quinta-feira: Decisão da Taxa de Juros do
Japão; Produção Industrial do Japão (final de janeiro); Juros prime 1 ano e 5
anos da China (março).
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