Fibras e alimentos fermentados tornam-se aliados da
saúde mental
- Especialistas explicam por que intestino é considerado segundo
cérebro da regulação emocional e bem-estar físico, com benefícios para
corpo e mente
- OMS sugere o consumo diário mínimo de 400g de frutas, legumes e
verduras por indivíduo
Estudos
internacionais publicados nos últimos cinco anos têm confirmado que a saúde
digestiva pode revolucionar a forma como tratamos problemas de saúde mental.
Pesquisadores
turcos recentemente constataram que alimentos fermentados —como kefir, iogurte,
kombucha, missô e tempeh— afetam o eixo intestino-cérebro, gerando uma "neuroproteção" e a consequente
redução de quadros de ansiedade e depressão.
Em publicação feita em
março, os autores relatam que a transformação microbiana dos compostos
fenólicos desses alimentos atuam diretamente no sistema nervoso, impactando
"o estresse oxidativo e o equilíbrio de neurotransmissores".
O artigo aponta que essas reações afetam também a
cognição, e ajudam na desinflamação cerebral e na melhora de disfunções do eixo
Hipotálamo-Pituitária-Adrenal (HPA), que rege as respostas ao estresse.
Outro estudo, feito na Coreia
do Sul e divulgado em janeiro, analisou cerca de 21 mil participantes adultos e
mostrou que quanto maior o consumo regular de vegetais e derivados de soja
fermentados, menor a prevalência de sintomas depressivos e ideação suicida.
De acordo com os autores, alimentos ricos em
bactérias do ácido lático (Lactobacillus) exercem efeitos
antidepressivos através de vias de modulação da serotonina e dopamina.
A análise destaca o papel das fibras dietéticas como
estimulantes da produção de neuroprotetores e, para os autores, os achados
confirmam a necessidade de transição da nutrição genérica para a personalizada,
baseada no microbioma único de cada indivíduo para tratar distúrbios de humor.
A
nutricionista Fabiana Poltronieri, diretora da Asbran (Associação Brasileira de
Nutrição), diz que, embora possa ser estranho "pensar no intestino como um
‘segundo cérebro’", isso faz todo sentido. "O nosso sistema
digestório está ligado ao Sistema Nervoso Central (SNC)", afirma.
FOLHA DE SÃO PAULO