Tira
tarifa, bota tarifa
Na
sexta (20), a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas por Donald
Trump a diversos países, sob o argumento de que o presidente não pode
implementar taxas amplas sem autorização explícita do Congresso.
Antes,
uma explicação: a decisão atinge a medida instituída com base na IEEPA (Lei de
Poderes Econômicos de Emergência Internacional).
Ela
concede ao presidente poderes para regular transações econômicas em resposta a
ameaças externas incomuns à segurança do país.
↳ Outras tarifas continuam em vigor, como as baseadas na Seção
232 que sobretaxam produtos como aço, alumínio e cobre.
Já
pode comemorar? A novidade beneficia inúmeros produtos vendidos pelo Brasil que
ainda eram afetados pelas taxas de 40%, como máquinas, equipamentos, motores,
armas, calçados, café solúvel e frutas.
A
Taurus, maior fabricante de armas brasileira, celebrou o fim do tarifaço e
disse que a medida vai fortalecer sua posição no mercado norte-americano.
• Os EUA são responsáveis por quase 80% da
receita total da companhia no segmento de armas e acessórios;
• Suas ações saltaram 5,17% na sexta e foram
negociadas a R$ 5,49.
A
CNI (Confederação Nacional da Indústria), estima que a decisão vai impactar o
equivalente a US$ 21,6 bilhões (cerca de R$ 112 bi) em exportações brasileiras
para os EUA.
Além
disso, o governo norte-americano pode ser obrigado a reembolsar US$ 175 bilhões
(R$ 91 bi) a importadores que se sentiram atingidos pelas tarifas e que entrem
com pedidos na Justiça.
↳ A estimativa foi calculada por um estudo da Penn-Wharton Budget
Model, grupo de pesquisa fiscal apartidário da Universidade da Pensilvânia, a
pedido da Reuters.
Sim,
mas… Trump reagiu e anunciou uma nova tarifa de 10% para todos os países, valor
que depois elevou para 15%. A cobrança começa amanhã.
Desta
vez, o republicano usou outra legislação, a Seção 122, para se apoiar. A medida
dá a ele poder para implementar, temporariamente, tarifas de até 15% sobre
importações enquanto houver déficits significativos na balança de pagamentos.
• A taxação expira em 150 dias, a menos que
o Congresso aprove uma extensão.
Os
grandes beneficiados? Dois países veem a mudança com bons olhos: o Brasil e a
China.
Uma
análise constatou que produtos brasileiros terão a maior redução nas tarifas
médias (caindo 13,6 pontos percentuais), seguido pelos itens chineses, com uma
redução de 7,1 pontos percentuais.
Relembre:
antes da decisão da Suprema Corte, 22% das exportações brasileiras ainda eram
afetadas pelo adicional de 40%.
Aliados
de longa data dos EUA, como Reino Unido e Japão sofrerão o maior impacto da
nova taxa. As exportações desses países são dominadas por aço, alumínio e
automóveis, setores que continuam taxados.
O
que ficou de fora? Produtos como carne bovina, tomates, laranjas, minerais
críticos, fertilizantes e medicamentos estão isentos. Itens já sujeitos a
tarifas com base na seção 232 também não serão taxados.
FOLHA MERCADO