CVM denuncia Miguel Gutierrez e mais 29 por fraude
na Americanas.
- Executivos teriam fraudado balanços para atingir metas e valorizar
ações recebidas como bônus
- Processo está em fase de citação; acusados poderão apresentar
defesa ou propor acordo
A área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) acusa 30
ex-executivos da Americanas pelas "inconsistências contábeis" que
levaram a companhia à recuperação judicial em janeiro de 2023.
Entre os
acusados, está o ex-presidente da companhia Miguel Gutierrez, foragido na
Espanha.
A acusação foi feita em processo aberto ainda em 2023 para
investigar "eventuais irregularidades nas inconsistências contábeis
divulgadas pela companhia" no início daquele ano, quando a Americanas já
era presidida por Sergio Rial.
Segundo a área técnica da CVM, Gutierrez e os
ex-executivos praticaram manipulação de preços no mercado de capitais, ao
fraudar os balanços da companhia para atingir metas e garantir a valorização
das ações que recebiam como bônus pelos resultados.
"Tinham perfeito conhecimento de que a
divulgação dos resultados verdadeiros acarretaria alteração nos valuations dos
valores mobiliários das companhias ao desnudar a incapacidade da operação de
gerar o caixa que os resultados fraudados apresentavam", diz a peça de
acusação.
Ao todo, são 30 acusados —13 deles já denunciados pelo Ministério Público Federal por
fraudes calculadas em pelo menos R$ 22,8 bilhões.
Além de Gutierrez, a lista
tem os ex-diretores estatutários Anna Saicali, José Timótheo de Barros, Marcio
Cruz e Fábio Abrate.
FOLHA DE SÃO PAULO