PERSPECTIVA SEMANAL


Concretização da desaceleração, com mercado de trabalho ainda resiliente.

Dados recentes reforçam que a economia brasileira está iniciando um processo de desaceleração. 

A Produção Industrial ficou estável em junho, influenciada pelo setor extrativo, enquanto os bens intermediários seguem de lado há dois meses. 

Os indicadores de consumo em junho também vieram fracos, aumentando o risco de um segundo trimestre com atividade abaixo do esperado.

Nesse contexto, revisamos nossa projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 0,4% para 0,2% na comparação com o trimestre anterior. 

Para 2025, também ajustamos nossa estimativa de crescimento de 2,5% para 2,2%, refletindo um quadro de atividade mais moderada do que projetávamos anteriormente. 

O terceiro trimestre de 2025 deve marcar o ponto mais fraco do ano, sendo crucial acompanhar a intensidade da desaceleração nos próximos meses.

O mercado de trabalho, no entanto, segue resiliente e atua como atenuante dessa leitura de perda de fôlego. A PNAD mostrou a manutenção do pleno emprego, e uma leve reaceleração dos rendimentos. 

Já o Caged trouxe alguma frustração na margem, mas não comprometeu a percepção de solidez do emprego formal.

O quadro atual combina sinais mais claros de enfraquecimento da atividade com um mercado de trabalho que ainda resiste. 

Essa divergência ajuda a explicar por que a desaceleração da economia deve ser gradual, em vez de abrupta.

O foco daqui em diante será monitorar a intensidade do enfraquecimento, especialmente nos dados de julho e agosto, que indicarão se a economia já entrou em uma trajetória consistente de menor crescimento. 

A calibragem desse ritmo será determinante para as perspectivas de corte de juros à frente.

Destaques da semana

Estados Unidos: O principal destaque será a divulgação da ata da última reunião do FOMC e o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no Jackson Hole 2025, que será realizado de 21 a 23 de agosto.

Segunda-feira (18): Índice de Atividade do Setor de Serviços do Fed NY (agosto); Confiança do Construtor NAHB (agosto).

Terça-feira (19): Novas Construções Residenciais (julho); Concessões de Alvarás (prévia de julho).

Quarta-feira (20): Pedidos de Hipoteca Semanal; discursos de Cristopher Waller e Raphael Bostic, do Fed; divulgação da ata da última reunião do FOMC.

Quinta-feira (21): Vendas de Moradias Usadas (julho); PMI Industrial e de Serviços (prévia de agosto); Pedidos Semanais de Seguro-Desemprego.

Sexta-feira (22): Discurso de Jerome Powell no Jackson Hole.

Europa

A agenda inclui a divulgação de indicadores de comércio, inflação e confiança.

Segunda-feira (18): Balança Comercial da Zona do Euro (junho).

Quarta-feira (20): CPI (final de julho) na Zona do Euro, com projeção de estabilidade (0% M/M); CPI (julho) no Reino Unido, também com previsão de estabilidade; PPI (julho) na Alemanha, com projeção de 0,1% M/M; discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.

Quinta-feira (21): PMI Industrial e de Serviços (prévia de agosto) na Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido; prévia da Confiança do Consumidor (agosto) na Zona do Euro.

Sexta-feira (22): PIB do 2º trimestre (final) da Alemanha, com projeção de queda de -0,1% T/T; Vendas no Varejo (julho) no Reino Unido.

Ásia:

Semana sem grandes destaques.

Terça-feira (19): Balança Comercial (julho) do Japão; decisão de juros de 1 ano e 5 anos na China (agosto), com expectativa de estabilidade em 3% e 3,5%, respectivamente.

Brasil:

Semana esvaziada, com divulgação de índices de preços e de atividade econômica.

Segunda-feira (18): IPC-S (2ª semana de agosto) da FGV; relatório Focus; IBC-Br (junho); Balança Comercial semanal.

Terça-feira (19): IPC-Fipe (2ª semana de agosto).



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