PERSPECTIVA SEMANAL


Reuniões do FMI evidenciam otimismo global e antecedem semana decisiva para Copom e Fed.

As recentes reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) evidenciaram um ambiente de maior apetite ao risco por parte dos investidores globais. 

Contudo, sob a ótica dos fundamentos econômicos, a mensagem principal do evento segue sendo a de bastante cautela, especialmente em relação à continuidade dos conflitos geopolíticos, ao comportamento do petróleo e à dinâmica da inflação. 

Diante desse quadro, os principais bancos centrais globais adotam uma postura de compasso de espera, evitando sinalizar mudanças bruscas na condução da política monetária.

Vale a ressalva que os investidores tendem, neste momento, a minimizar o potencial efeito inflacionário das tensões externas, adotando uma postura de olhar além do curto prazo. 

No entanto, analistas de commodities duvidam de uma queda rápida nos preços do petróleo e citam desafios estruturais para a retomada da produção, projetando o barril com um viés altista, próximo a US$ 90.

Esse cenário se desenrola em meio a um dólar globalmente mais fraco e a um menor apetite por títulos do Tesouro americano (Treasuries). 

Em paralelo, notamos uma mudança no tom das discussões sobre Inteligência Artificial, que migraram do otimismo focado em "ganhos de produtividade" para uma preocupação crescente com a cibersegurança e os desafios de governança do setor.

Dentro desse panorama global, o Brasil se destacou nas reuniões do FMI como um dos destinos favoritos entre os mercados emergentes. 

Embora não exista um gatilho de curto prazo para entradas maciças de capital e o Banco Central seja percebido como conservador, o país é visto como uma oportunidade de valor atraente ao longo do tempo.

No cenário doméstico, a expectativa da SulAmérica Investimentos para a reunião desta semana é de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anuncie um corte de 25 pontos-base na taxa Selic. 

A comunicação da autoridade monetária deve manter a continuidade de um discurso cauteloso e estritamente dependente dos dados. 

Acreditamos que o comitê apresentará uma dicotomia em sua mensagem: por um lado, deixará transparecer o desejo de dar continuidade ao ciclo de redução de juros; por outro, reforçará a cautela ao demonstrar preocupação com o panorama inflacionário atual. 

Vale ressaltar que esta será uma reunião fundamental para o mercado compreender o perfil e a função de reação da atual composição do Banco Central.

No ambiente internacional, projetamos que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, optará pela manutenção da sua taxa básica de juros, mas com um voto divergente a favor de um corte. 

O comunicado oficial deve trazer alterações de tom mais conservador, reconhecendo que houve alguma melhora nos indicadores recentes do mercado de trabalho americano. 

Durante a entrevista coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, deve confirmar a sua saída do comando da instituição. 

Em relação à política monetária, a expectativa é de uma comunicação cuidadosamente equilibrada: Powell deve revelar que houve discussões no comitê sobre a possibilidade de uma alta de juros, mas, para contrabalançar o tom, fará questão de destacar que o debate sobre eventuais cortes também esteve presente na mesa.

 Destaques da semana

Brasil

No cenário doméstico, com a sexta-feira marcada pelo feriado do Dia do Trabalhador, as atenções se condensam nos dias anteriores, com foco na decisão do Copom sobre a taxa de juros, a prévia da inflação (IPCA-15), o IGP-M e estatísticas do mercado de trabalho e das contas públicas.

    Segunda-feira: Relatório Focus; FIPE CPI (3ª semana de abril); Dados de Crédito (março); Balança Comercial (4ª semana de abril).

    Terça-feira: IPCA-15 (abril).

    Quarta-feira: IGP-M (abril); Decisão de Taxa de Juros.

    Quinta-feira: Resultado Primário do Governo Central (março); Taxa de Desemprego (março); Caged (março).

    Sexta-feira: Feriado Nacional.

Estados Unidos

A agenda norte-americana ganha grande relevância nesta semana com a decisão de política monetária sobre a taxa de juros, além da primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) trimestral, índice de inflação PCE e dados abrangentes de emprego e manufatura.

    Segunda-feira (27): Sondagem Industrial do Fed Dallas (abril).

    Terça-feira (28): ADP Semanal; FHFA - Índice de Preço de Casas (fevereiro); Índice de Atividade da Indústria do Fed Richmond (abril); Confiança do Consumidor (abril).

    Quarta-feira (29): Estoques do Varejo (prévia de março); Novas Construções Residenciais (março); Pedidos de Bens Duráveis (prévia de março); Concessões de Alvarás (prévia de março); decisão de taxa de juros.

    Quinta-feira (30): Renda Pessoal (março); Deflator PCE (março); Pedidos de Seguro Desemprego Semanal; Índice do Custo do Emprego (1º trimestre de 2026); PIB (1º trimestre de 2026); PMI Chicago (abril); Indicador Antecedente (março).

    Sexta-feira (1): S&P Global PMI Industrial (final de abril); ISM Manufatura (abril).

Europa

Na Europa, a semana concentra importantes anúncios de taxas de juros no Reino Unido e na Zona do Euro, acompanhados de leituras de inflação, Produto Interno Bruto (PIB) e taxas de desemprego.

    Segunda-feira: GfK - Confiança do Consumidor da Alemanha (maio).

    Quarta-feira: CPI da Alemanha (abril); Confiança do Consumidor da Zona do Euro (abril).

    Quinta-feira: Taxa de Desemprego da Alemanha (abril); PIB da Alemanha (1º trimestre de 2026); PIB da Zona do Euro (1º trimestre de 2026); CPI da Zona do Euro (prévia de abril); Taxa de Desemprego da Zona do Euro (março); decisões de taxas de juros do Reino Unido e da Zona do Euro.

    Sexta-feira: S&P Global PMI Industrial do Reino Unido (final de abril).

Ásia

A agenda asiática destaca a decisão de política monetária no Japão, além de uma série de dados relevantes sobre emprego, vendas no varejo, inflação e atividade industrial. Também serão divulgados os PMIs da China.

    Segunda-feira: Indicador Antecedente do Japão (final de fevereiro).

    Terça-feira: Taxa de Desemprego do Japão (março); decisão de taxa de juros do Japão; Pedidos de Máquinas do Japão (final de março).

    Quinta-feira: Vendas no Varejo do Japão (março); Produção Industrial do Japão (prévia de março); PMI da China (abril); RatingDog PMI da China (abril).

    Sexta-feira: CPI do Japão (abril); S&P Global PMI Industrial do Japão (final de abril).



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