ANÁLISE ECONÔMICA


Crescimento em alta e inflação em queda: até quando?

Aumento do PIB com baixa variação nos preços só será possível com controle da política fiscal e insistência em reformas.

A divulgação do PIB na semana passada mostrou que a economia continua crescendo com força, avançando 1,2% em relação ao primeiro trimestre. 

Os dados promoveram uma nova revisão das projeções para o crescimento de 2022

As mais otimistas apontam para uma expansão perto de 3%; e as mais cautelosas, para uma alta entre 2% e 2,5%.

No começo do ano, as estimativas para o aumento do PIB estavam perto de zero ou indicavam recessão. Ao mesmo tempo, temos observado uma redução significativa da inflação esperada para 2022. 

A pesquisa do Focus (realizada pelo BC com participantes do mercado), que chegou a apontar uma alta de 8,9% para o IPCA deste ano, está hoje em 6,6%. 

A combinação entre PIB em alta e inflação em baixa é inusitada, principalmente quando a taxa de desemprego se encontra cerca de 3 p.p. abaixo da média dos últimos 5 anos.

Alguns fatores podem explicar a surpreendente recuperação da atividade econômica: liberação do FGTS, antecipação do abono salarial, queda de impostos, uso da poupança acumulada durante a fase de restrições à locomoção, renda gerada pelo boom de commodities e efeitos ainda defasados da reabertura da economia.

Já a queda das expectativas de inflação ocorreu, principalmente, em resposta ao corte de impostos (em especial à redução do ICMS sobre combustíveis e eletricidade) e à diminuição no preço da gasolina, resultante do recuo observado no mercado internacional.

Diante de um cenário bastante incerto, o Banco Central vem sinalizando o encerramento do ciclo de alta de juros em setembro. 

Será um momento extremamente desafiador: expectativas de inflação desancoradas, inexistência de sinais de redução significativa das pressões inflacionárias correntes, menor capacidade ociosa da economia e falta de visibilidade sobre o equilíbrio fiscal de médio prazo.

É claro que o quadro de hoje para 2023 parece pessimista, mas não há mágica na matemática: com um crescimento populacional de menos de 1%, para o Brasil crescer 3% de forma sustentável, a produtividade tem de crescer 2% – o que não ocorre há 40 anos. 

Crescimento sustentável com inflação baixa só será possível se tivermos controle da política fiscal e persistirmos nas reformas.



FOLHA DE SÃO PAULO
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