Receita de royalties do petróleo dispara com guerra
e bate recorde de R$ 8 bi em maio
- Aumento de 68% em relação a abril reflete alta do barril acima de
US$ 100
- Maior beneficiado, governo do Rio de Janeiro prevê redução de
déficit com receita extra
A
arrecadação com royalties sobre a produção de petróleo disparou após o início da guerra no Irã e atingiu recorde em maio,
com mais de R$ 8 bilhões. A receita extra beneficia o governo federal e deve
ajudar o Rio de Janeiro a fechar o ano com déficit bem inferior ao previsto.
Segundo
dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a
arrecadação com os royalties de maio somou R$ 8,2 bilhões. É um aumento de 68%
em relação ao mês anterior, quando os efeitos da guerra ainda não eram sentidos
nessa receita.
Os
royalties são pagos dois meses após a produção efetiva do petróleo e do gás
natural. Isto é, o pagamento de maio corresponde à produção de março, quando a
cotação internacional do petróleo já operava acima dos US$ 100 por barril,
influenciando o preço do petróleo produzido no país.
Segundo
a ANP, por exemplo, o preço do petróleo de Búzios, o campo que mais paga
royalties no país, subiu de R$ 2.181 por metro cúbico para R$ 3.204 por metro
cúbico entre fevereiro e março. É uma alta de 47%.
Apenas
em maio, esse campo garantiu aos cofres públicos quase R$ 2 bilhões. Nele,
a Petrobras produziu, em média, 886 mil barris de petróleo
por dia, o equivalente a um quinto da produção nacional.
A União, maior beneficiária, ficou com R$ 2,5
bilhões em royalties em maio. Os recursos são divididos entre investimentos em
educação e saúde, o comando da Marinha, o Ministério de Ciência e Tecnologia e
fundos especiais para gerir os recursos do petróleo.
A
receita com royalties é importante especialmente para o estado do Rio de
Janeiro, beneficiado pelos campos gigantes do pré-sal. Em maio, os cofres
estaduais receberam R$ 1,8 bilhão dessa rubrica, segundo os dados da ANP
FOLHA DE SÃO PAULO