Pneumonia em UTIs de países como o Brasil mata até
o dobro do registrado em nações ricas
- Estudo analisou dados de 48.707 pacientes em 18 países de baixa e
média renda
- Taxa média de mortalidade foi de 37,1%, contra 16% a 26% em nações
ricas
Pacientes internados com pneumonia em UTIs (unidades de terapia
intensiva) de países de baixa e
média renda, como o Brasil, têm risco de morte até duas vezes maior do que os
atendidos em países ricos, segundo estudo coordenado pelo Instituto D’Or de
Pesquisa e Ensino publicado na revista científica NEJM Evidence.
A revisão analisou dados de 48.707 pacientes
internados por pneumonia contraída fora do ambiente hospitalar em 18 países de
baixa e média renda. A taxa média de mortalidade encontrada foi de 37,1%, ante
índices entre 16% e 26% registrados em nações mais ricas.
Entre os pacientes que precisaram de aparelhos para
respirar, a mortalidade chegou a 59,3%. Em países ricos, esse percentual gira
em torno de 26%, segundo os pesquisadores.
Os autores afirmam que a diferença não pode ser
explicada apenas pelo estado de saúde dos pacientes. Fatores como demora
para conseguir atendimento, chegada tardia às UTIs, falta de profissionais
especializados e problemas na estrutura dos hospitais também influenciam os
resultados.
A idade média dos pacientes avaliados era de 65
anos. Pressão alta, doenças pulmonares crônicas e diabetes estavam entre os
problemas de saúde mais comuns.
Para os pesquisadores, os resultados mostram a necessidade de
ampliar o acesso rápido a leitos de UTI, melhorar a estrutura hospitalar e
adotar padrões de atendimento para pacientes com quadros graves de pneumonia.
FOLHA DE SÃO PAULO