Percentual de MEI é maior na alta renda do que na
população mais pobre
- Governo propõe elevar teto para R$ 140 mil em 2028 e permitir
contratação de dois empregados
- Especialistas defendem redução de limites e foco em informais para
corrigir distorções
Um
perfil do MEI (Microempreendedor Individual) traçado
pela Folha a partir de uma série de estudos privados e
de órgãos públicos mostra que o percentual de utilização desse tipo de empresa
é maior nas faixas de renda mais elevadas do que entre a população mais pobre .
Os dados também apontam que o rendimento médio desses profissionais é superior
ao de empregados com carteira assinada e demais trabalhadores que atuam por
conta própria.
As
propostas do governo e do Congresso para ampliar esse regime
especial de tributação, portanto, tendem a beneficiar justamente aqueles que
estão longe de serem o público-alvo do programa, ou seja, pessoas na
informalidade e em situação de vulnerabilidade.
Dados
do Sebrae mostram ainda que, nos últimos anos, a maioria das pessoas que se
registraram como microempreendedores (60%) eram empregadas com registro formal
antes de virar "pejota". E mais da metade trabalha, na prática, como
se fosse assalariada.
O MEI
foi criado em 2008. Três anos depois, havia 1,7 milhão de pessoas neste regime.
Atualmente, são 17 milhões de CNPJs ativos, cerca de 15% da população ocupada.
Em 2025, o subsídio tributário foi de R$ 9 bilhões, valor semelhante ao
incentivo para pesquisas científicas e inovação tecnológica.
O programa nasceu com um teto de faturamento anual
para os MEIs de R$ 36 mil, que foi corrigido por índices acima da inflação até
2018, quando foi criado o limite atual, de R$ 81 mil. Considerando o índice de
preço, o valor hoje deveria ser de R$ 93 mil. O microempreendedor paga cerca de
R$ 85 por mês em tributos, incluídos aí os 5% para o INSS.
O governo federal enviou um projeto ao Congresso
que prevê um teto de R$ 110 mil para 2027 e R$ 140 mil em 2028. Também aumenta
de um para dois o número de empregados que podem ser contratados por empresas desse porte. A proposta é
resultado da pressão do Legislativo para compensar um esperado aumento de
custos com o fim da escala 6x1.
FOLHA DE SÃO PAULO