PERSPECTIVA SEMANAL


Um alerta no comportamento das expectativas para a inflação.

O relatório Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central trouxe um dado que chamou atenção. 

Observamos um movimento bastante incomum nas estimativas do mercado: as expectativas para a inflação de longo prazo subiram, mesmo em um ambiente em que as projeções para a inflação de curto prazo apresentaram melhora. 

Esse descolamento acende um alerta importante sobre como os economistas estão avaliando o horizonte mais distante da economia doméstica.

Historicamente, existe uma forte correlação entre a inflação corrente e as expectativas para os anos seguintes no Brasil. 

Quando o cenário atual melhora ou piora, as projeções futuras tendem a acompanhar a mesma direção, especialmente em períodos nos quais as estimativas já se encontram distantes das metas oficiais. 

Dessa forma, diante de um alívio na inflação corrente, o padrão estatístico sugere que as projeções futuras deveriam, ao menos, permanecer estáveis ou até mesmo recuar.

No entanto, os dados mais recentes contrariaram essa regularidade. 

Desde 2001, observar a projeção para dois ou três anos à frente subir, enquanto a do ano corrente recua, é um evento raro, tendo ocorrido em menos de 4% das janelas de queda da inflação atual (sob a ótica mensal ou entre reuniões do Copom). 

Nas poucas vezes em que essa combinação apareceu, como nos anos de 2012 e 2022, o movimento esteve associado a períodos de deterioração na percepção de credibilidade da autoridade monetária.

O fato de o ajuste atípico acontecer agora traz uma mensagem adicional que merece cautela. 

Esse movimento se dá justamente no início de um ciclo de calibração da taxa de juros, um período que naturalmente exige bases sólidas para a tomada de decisão. 

Além disso, o cenário se desenrola em meio a debates contínuos sobre a sustentabilidade fiscal. Ver as expectativas longas subirem "contra a corrente" sugere que os agentes econômicos estão precificando riscos que vão além da dinâmica atual dos preços e da inflação de curto prazo.

Em suma, o momento exige atenção. O movimento recente das expectativas sinaliza um alerta que o Banco Central precisará monitorar de perto ao longo das próximas semanas. 

Caso essa tendência de alta no longo prazo se consolide, os custos para uma eventual correção de rota na política monetária tendem a se tornar ainda mais elevados.

Destaques da semana

Brasil

No panorama doméstico, a semana apresenta uma agenda mais enxuta. Os destaques ficam restritos às divulgações costumeiras do Relatório Focus e da Balança Comercial semanal logo no início da semana, seguidas pela prévia da inflação medida pelo IPC-S na quinta-feira.

•    Segunda-feira: Relatório Focus; Balança Comercial (2ª semana de julho).

•    Quinta-feira: IPC-S CPI (3ª semana de julho).

Estados Unidos

A agenda norte-americana foca nas prévias dos índices PMIs (industrial e de serviços) do S&P Global, vendas de novas casas e nos tradicionais pedidos de seguro-desemprego. O calendário também conta com o indicador antecedente e diversas sondagens de atividade regionais do Federal Reserve (Fed) (Philadelphia, Chicago e Kansas).

•    Segunda-feira (20): Indicador Antecedente (junho).

•    Terça-feira (21): ADP Semanal; Índice de Atividade de Serviços do Fed Philadelphia (julho).

•    Quarta-feira (22): Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

•    Quinta-feira (23): Pedidos de Seguro-desemprego Semanal; Índice de Atividade Nacional do Fed Chicago (junho); Sondagem Industrial do Fed Kansas (julho).

•    Sexta-feira (24): S&P Global PMI Industrial e de Serviços (prévia de julho); Vendas de Novas Casas (junho); Sondagem de Serviços do Fed Kansas (julho); Concessões de Alvarás (junho).

Europa

Na Europa, o grande destaque da semana é a Decisão de Política Monetária do Banco Central Europeu (BCE), acompanhada pelo discurso da presidente Christine Lagarde e dados de expectativas da instituição. A agenda também é rica em dados de atividade, com as prévias dos PMIs na Alemanha e na Zona do Euro, dados de inflação (CPI) no Reino Unido e pesquisas de sentimento econômico (ZEW e GfK).

•    Segunda-feira: PPI da Alemanha (junho).

•    Terça-feira: Pesquisa ZEW da Alemanha (julho); Pesquisa ZEW da Zona do Euro (julho).

•    Quarta-feira: CPI do Reino Unido (junho); Vendas do Varejo do Reino Unido (junho).

•    Quinta-feira: Decisão de Política Monetária do BCE; Confiança do Consumidor da Zona do Euro (prévia de julho); Discurso de Christine Lagarde (BCE).

•    Sexta-feira: GfK - Confiança do Consumidor do Reino Unido; GfK - Confiança do Consumidor da Alemanha (julho); Discurso de Philip R. Lane (BCE); S&P Global PMI Industrial e de Serviços da Alemanha (prévia de julho); Expectativas de 1 e 3 anos do BCE (junho); S&P Global PMI Industrial e de Serviços da Zona do Euro (prévia de julho).

Ásia

A agenda asiática começa com a importante decisão sobre as taxas de juros (prime rate) de 1 e 5 anos na China. No Japão, o destaque fica para a divulgação dos números da balança comercial, inflação ao consumidor (National CPI) e as prévias dos PMIs industrial e de serviços no fim da semana.

•    Segunda-feira: Taxa de Juros Prime de 1 ano e 5 anos da China.

•    Quarta-feira: Balança Comercial do Japão (junho).

•    Sexta-feira: CPI Nacional do Japão (junho); S&P Global PMI Industrial e de Serviços do Japão (prévia de julho).



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