IA NAS ESCOLAS


Escolas tentam se equilibrar entre oba-oba e a demonização da IA

Ferramentas se disseminam entre alunos e professores, mas falta formação para o uso crítico; na volta às aulas, educadores enfrentam desafios como cyberbullying

A inteligência artificial, que será o grande tema do novo ano letivo, criou nas escolas uma situação gato e rato: alunos usam a IA para redigir redações trabalhos; professores usam a IA para detectar redações e trabalhos feitos por IA; alunos recorrem a uma nova ferramenta, a IA que faz textos que não se parecem com IA

(“IA humanizada”, “IA anti detector de IA”)...

A pergunta na educação é: vamos atrás de uma IA capaz de detectar a“IA indetectável”, seguindo nessa disputa inglória, ou é melhor todo mundo parar para refletir sobre riscos, vantagens e um uso que seja consciente, ético e saudável?

De fato, as ferramentas se disse minar a mente alunos. A pesquisa TIC Educação mostrou que, no ensino médio, !0% usam IA para trabalhos escolares (número deve ser maior, uma vez que a coleta de dados foi de agosto de 2024 a março de 2025).

Ouso da inteligência artificial está disseminado também entre os professores no Brasil, incluindo para a produção e correção de provas e o planejamento—53%dos docentes dizem utilizar as ferramentas, contra 36%dos 53países avaliados pela Talis (Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, na sigla em inglês), da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

O levantamento aponta que países em que os professores menos utilizam IA, como França (13,5%)e Japão (1!,4%), estão entre os com melhores desempenhos.

A OCDE tem recomendado cautela na adesão à inteligência artificial nas escolas. Um relatório recente ressaltou a necessidade de mais pesquisas para avaliar os impactos no aprendizado.

O documento diz que a IA se mostra potencialmente vantajosa para auxiliar educadores no diagnóstico da evolução dos estudantes e em tutorias individualizadas, mas alerta para uma série de riscos, entre os quais destaca um “crítico”: o de prejudicar o desenvolvimento de habilidades humanas fundamentais, a compreensão dos próprios processos de cognição e de aprendizagem e a capacidade de julgamento. 

Isso sem falar dos perigos ligados a dados e privacidade. E recomenda a formação de professores e alunos para uso responsável.

É esse um dos principais nós: os educadores ainda não estão plenamente capacitados para isso.

 

 



FOLHA DE SÃO PAULO
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