BANCOS


 🏢 Bancos fecham as torneiras

Os maiores bancos brasileiros– Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa, Santander e Banco do Brasil– divulgaram os resultados do primeiro trimestre de 2026. Eles têm uma coisa em comum: elevaram as provisões para possíveis calotes.

As provisões são reservas para cobrir o não pagamento de dívidas. Desde 2025, os bancos são obrigados a guardar uma quantia correspondente à perda esperada no crédito.

As despesas com esse fundo somaram R$ 51,3 bilhões de janeiro e março deste ano, um crescimento de 43,4% em relação ao mesmo período em 2025.

O que explica? Uma junção de fatores. Vamos a eles:

💥 A guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro, elevou os custos dos combustíveis e insumos, o que, consequentemente, pressiona a inflação. O bloqueio parcial do estreito de Hormuz fez os preços do petróleo e do gás natural mundial subirem.

      Ficou mais caro produzir combustíveis usados no transporte, o que encarece os custos e o valor final dos produtos.

⬆️ Por isso… Mesmo que a renda do brasileiro suba, o custo de vida segue em alta, o que pode gerar aumento no número de empréstimos e comprometimento na capacidade de honrar esses pagamentos.

      A inflação voltou a subir em abril: alta de 4,39% em 12 meses.

      É esperado que ela chegue a 4,91% ao fim do ano, segundo expectativas do mercado.

O endividamento das famílias atingiu 49,9% em fevereiro, nível recorde desde janeiro de 2005. Os patamares de inadimplência também são altos, com metade da população adulta deixando de realizar os pagamentos das dívidas, segundo levantamento da Folha.

      A inadimplência nos empréstimos a pessoas físicas subiu em todos os grandes bancos, com exceção do Itaú, desde janeiro.

🐂 No trimestre, o maior atraso nos pagamentos de pessoas físicas foi no Banco do Brasil, que registrou um aumento de 1,7 ponto percentual. O agronegócio também deu dor de cabeça, com calotes acima de 90 dias subindo para  6,22% do total emprestado, um salto anual de 3,46 p.p.

O setor vive uma onda de recuperações judiciais desde a queda na safra de grãos de 2024. No primeiro trimestre de 2026, o BB viu 162 clientes recorrerem a este recurso.

🔮 As previsões não animam. O cenário deve se deteriorar, e as instituições serão mais criteriosas para conceder empréstimos, estimam analistas.



FOLHA MERCADO
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