Para este ano, a meta atuarial da
Funcesp, que administra fundos de empregados de empresas de energia elétrica,
incluindo Cesp, CPFL e Eletropaulo, é de cerca de 11%
A queda mais rápida da Selic pode fazer
os fundos fechados de previdência complementar terem outro ano de rentabilidade
baixa em 2017, disse o presidente do maior fundo de pensão patrocinado por
empresas privadas do país, a Funcesp.
"No conjunto, os fundos fechados
podem ficar abaixo da meta atuarial neste ano", disse Martin Glogowsky,
presidente da Funcesp, que também é o quarto maior fundo de pensão do país, com
ativos de R$ 27,5 bilhões no fim de fevereiro.
A meta atuarial é a rentabilidade
mínima necessária para que um fundo consiga pagar os benefícios de seus
cotistas no longo prazo. No ano passado, com a combinação de juros altos e
valorização do mercado acionário, os fundos fechados superaram a meta atuarial
após três anos seguidos em baixa.
Para este ano, a meta atuarial da
Funcesp, que administra fundos de empregados de empresas de energia elétrica,
incluindo Cesp, CPFL e Eletropaulo, é de cerca de 11%. Segundo o executivo,
apesar da queda da Selic, a Funcesp vai conseguir atingir a meta atuarial neste
ano.
Cerca de 85% dos ativos administrados
pelo Funcesp estão em títulos do governo, que têm como um dos principais
métricas de rentabilidade a taxa Selic, hoje em 12,25% ao ano. A maior parte
dos papéis, segundo Glogowsky, está em títulos pré-fixados.
O último boletim Focus do Banco
Central aponta previsão média do mercado para Selic de 8,75% em dezembro.
Segundo Glogowsky, a administração da
Funcesp já tem nos últimos seis meses feito movimentos táticos, reduzindo
levemente a exposição a papéis do governo, ao mesmo tempo em que tem olhado
para fundos multimercado e o mercado acionário.
"É o tipo de movimento que
podemos fazer", disse ele, observando que, devido ao perfil \'maduro\' dos
fundos administrados, a instituição tem que dar atenção à rentabilidade, mas
não pode se descuidar da liquidez.
Dos cerca de 110 mil participantes dos
fundos administrados pela Funcesp, cerca de 15 mil apenas são pagantes, outros
30 mil são aposentados ou pensionistas e 62 mil são dependentes
previdenciários. A folha de pagamento de benefícios da instituição é de
aproximadamente R$ 2 bilhões por ano.
Para Glogowsky, assim como a Funcesp,
outros grandes fundos de pensão do país tendem a ser bastante seletivos na
busca de ativos de maior risco para tentar elevar a rentabilidade.
No caso da Funcesp, além da renda
variável, poucas opções de risco estão sendo consideradas, como ativos
imobiliários e crédito privado. Em todos os casos, a fundação define o rating A
como mínimo necessário para considerar investir.
"Fundos de infraestrutura e ou de
private equity, por exemplo, estão fora de questão", disse Glogowsky.
Como resultado de mudanças no mercado
de trabalho, da busca de trabalhadores por produtos mais flexíveis e, mais
recentemente, problemas de gestão em alguns dos maiores fundos de pensão do
país, a previdência fechada tem perdido fôlego nos últimos anos.
Fundos de pensão de grandes estatais,
como Petros (dos empregados da Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal) e
Postalis (Correios) estão enfrentando a realidade de apresentar planos de
equacionamento, com contribuições adicionais de seus sócios e da empresa
patrocinadora para evitar um colapso.
O total de ativos do sistema de fundos
de pensão fechados do país representou no ano passado 12,6% do PIB brasileiro,
com ativos totais de R$ 790 bilhões. Em 2007, o índice era de 17,2%.
Enquanto isso, o mercado aberto de
previdência, com planos que tem PGBLs e VGBLs como grandes destaques, tem elevado
a captação líquida mesmo com o país em recessão. Em 2016, a captação líquida do
setor cresceu 24%, para R$ 60,8 bilhões, segundo a Fenaprevi, entidade que
representa o setor.
"Diferente
da previdência aberta, a fechada não tem conseguido se beneficiar da crescente
preocupação com as discussões sobre reforma da previdência", disse
Glogowsky. "Precisamos criar planos mais modernos se quisermos
sobreviver", disse.
IstoÉ + UOL