EUA
querem terras raras (e brasileiras)
💰 Ontem, a mineradora
brasileira Serra Verde fez um anúncio importante sobre um contrato firmado com
o DFC (Development Finance Corporation), banco estatal dos EUA: a instituição
norte-americana aumentou para US$ 565 milhões (cerca de R$ 2,5 bi) o financiamento
concedido ao negócio.
O
acordo… Foi divulgado em novembro pela mineradora, e o objetivo do empréstimo é
aumentar a produção da empresa, localizada em Goiás.
A
companhia é a única mineradora de terras raras em operação no Brasil e,
atualmente, não consegue funcionar em sua capacidade máxima.
A
Serra Verde pertence a dois fundos de investimento norte-americanos e um
britânico, e quase toda a exportação de 2025 foi parar na China.
Mas…
No ano passado, sinalizou que remodelou contratos com chineses para escoar
parte de sua produção para clientes ocidentais, sem citar a nacionalidade
deles.
Tá
diferente. Além do aumento no valor aportado —antes, eram US$ 465 milhões (R$ 2
bi, aproximadamente)—, o governo dos EUA também terá o direito de adquirir
ações da empresa, o que não havia sido informado anteriormente.
🤝 Por que importa? Com o
acordo, Washington dá mais um passo para depender ainda menos do fornecimento
de terras raras de Pequim, que hoje domina 60% da extração e 90% do refino.
• O Brasil tem a segunda maior reserva de
minerais críticos do mundo e é visto internacionalmente como uma alternativa ao
fornecimento chinês.
O
governo norte-americano reforça a estratégia de assinar contratos diretamente
com empresas, sem precisar esperar um eventual acordo com autoridades
brasileiras —o que diminui o poder de barganha do governo.
🔋 As terras raras… São um
conjunto de 17 elementos químicos de difícil extração e refino. São usados para
a fabricação de turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, telas de
smartphones e equipamentos militares.
• Os insumos estão no centro da disputa
geopolítica entre China e Estados Unidos, que parece ter dado uma trégua
temporariamente.
• Em 2025, o governo chinês criou barreiras
para dificultar a exportação desses elementos, mas elas foram adiadas por um
ano.
Em
busca de novos horizontes. Na quarta (4), o governo Trump anunciou alianças com
a União Europeia, Japão e México para reforçar as cadeias de suprimento de
minerais críticos, mais uma tentativa de garantir independência dos recursos
chineses.
FOLHA MERCADO