ORIENTE MÉDIO



 O conflito no Oriente Médio se desenrola no momento em que o preço médio internacional dos alimentos volta a subir. 


Coincidência. O aumento, apontado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), não é consequência dos ataques sofridos pelo Irã. Ele é puxado pela pressão sobre as carnes e óleos vegetais.

Porém, a experiência da guerra entre Ucrânia e Rússia mostra que um longo conflito poderá causar uma nova onda de inflação pelo mundo, principalmente com o fechamento do  estreito de Hormuz.

Uma nota de rodapé: em 2022, devido à invasão realizada por Moscou, a média dos valores internacionais dos cinco principais indicadores acompanhados pela FAO (cereais, carnes, açúcar, óleos vegetais e leite) teve alta de 15% em relação à de 2021. 

Fatores como queda de produção na Ucrânia, dificuldades logísticas no transporte de alimentos, aumento do diesel e de outros insumos utilizados na agropecuária, alta dos frete e de seguro impactaram os preços. 

E agora? A preocupação, por enquanto, está na demanda por carne e óleo vegetal.

Os Estados Unidos, um dos maiores consumidores da proteína, têm o menor rebanho em 75 anos, e precisarão importar mais. A China, mesmo com a imposição de cotas, ainda é um grande participante desse mercado. 

O país asiático cobra tarifas sobre as importações de alguns países que excederem uma determinada quantidade. Relembre aqui

O problema… É que grandes fornecedores, como Brasil e Austrália, não devem oferecer mais proteína. No caso do Brasil, não há perspectivas de um aumento que possa repor a redução de oferta de outros países.

Já o óleo vegetal foi fortemente impactado por políticas de inclusão de energia renovável nos combustíveis, o que elevou sua procura. 

O Brasil está aumentando a mistura de biodiesel ao diesel, e os Estados Unidos têm um plano de elevar em 67% a mistura de biodiesel e diesel renovável nos combustíveis fósseis. 

Se a proposta norte-americana for aprovada, o país deverá usar 5,61 bilhões de galões (21,2 bilhões de litros) no sistema de combustíveis. Com isso, o esmagamento de soja, que foi de 70 milhões de toneladas no ano passado, subiria para 74,5 milhões, segundo a consultoria Hedgepoint. 

Deve haver também uma redução nos estoques finais da commodity e óleo de soja na temporada 2025/26. 

O conflito no Irã também pode semear a fome em países mais vulneráveis. 

Como assim? 

O golfo Pérsico é uma fonte dominante de fertilizantes, especialmente os que fornecem nitrogênio. 

Por enquanto, a maioria das fábricas na região que produzem esses compostos continua funcionando, mas entregar os produtos ficou muito mais difícil com o fechamento do estreito de Hormuz. 




FOLHA MERCADO
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