PROCESSO CRIATIVO


‘IA não substitui processo criativo e traz custo humano’

Cientista Marcelo Gleiser reconhece o valor da ferramenta, mas alerta para o risco de ‘atrofia’ da criatividade

Físico e astrônomo brasileiro vencedor do prêmio Templeton de 2019, é professor no Dartmouth College, nos EUA

“Não vejo a IA como solução para todos os problemas. Na minha universidade, proibimos o uso de IA durante aulas ou provas. As provas são escritas à mão. Porque assim você preserva a capacidade de pensamento crítico”

Para o cientista Marcelo Gleiser, a inteligência artificial (IA) nem sequer deveria ser chamada de “inteligência”, e sim de algoritmo.

Na visão dele, ela é uma máquina estatística que pode ser utilizada como uma ferramenta, assim como uma calculadora, mas traz riscos associados à antropomorfização – quando ela se passa por um amigo pessoal ou terapeuta.

Segundo ele, essa tecnologia não pode ser vista como uma solução para todos os problemas e requer cuidado diante das iniciativas das plataformas para manter as pessoas envolvidas com ferramentas como Claude ou ChatGPT.

“Com a IA, a transição é para uma sedução afetiva. Elas (as empresas) querem que você goste, não só use, mas goste delas. 

Então, quando você faz uma pergunta, ela te fala: ‘Que pergunta ótima, que coisa mais criativa, você é o máximo’. Enche o ego da pessoa”, afirma o cientista, em entrevista concedida no Rio Innovation Week. 

Gleiser vê ainda um grande risco de usar a IA no mercado de trabalho no lugar de ter profissionais iniciantes, sob risco de criar um problema de não preparar o próximo diretor ou CEO por estar delegando as atividades humanas às máquinas.




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