A guerra do Irã se estende pela quinta semana. O conflito começou
em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel bombardearam o país.
• Em resposta aos ataques, Teerã
restringiu a circulação de navios pelo estreito de Hormuz, que liga o golfo
Pérsico ao mar da Arábia e ao oceano Índico.
• O local é uma rota estratégica
para o transporte de petróleo e outros insumos, como fertilizantes e plástico.
Por que importa?
Cerca de 20% da commodity mundial passa por ali. Com a intervenção
iraniana, os preços do óleo e gás dispararam, e países ao redor do mundo temem
uma emergência energética causada pela falta de abastecimento. Desde o início
do conflito, o valor do combustível subiu cerca de 50%.
Uma potência, porém, se prepara há anos para lidar com uma crise.
Se você pensou na China, acertou.
O tamanho da encrenca. O país é o segundo maior consumidor de
petróleo do mundo, atrás dos Estados Unidos. Analistas estimam que, por dia, o
gigante asiático consuma até 16 milhões de barris.
A Arábia Saudita e o Irã representam, cada um, mais de 10% das
importações chinesas, segundo dados da EIA. O posto de maior fornecedor é da
Rússia, que sozinha vende cerca de 20% para a China.
De janeiro a fevereiro deste ano, Pequim comprou 16% a mais do
óleo do que no mesmo período do ano anterior. Especialistas estimam que a China
acumulou reservas de cerca de 900 milhões de barris, o equivalente a quase três
meses de importação.
↳ Para preservar seus estoques,
o país está restringindo a exportação de combustíveis e fertilizantes.
Matriz diversa.
A China depende menos da commodity do que a Europa e os Estados
Unidos para a geração de energia elétrica.
O carvão é a principal fonte de eletricidade do país —que também é
o maior produtor mundial do combustível. O petróleo e o gás representam pouco
mais de 25% da matriz energética.
🚗 Os carros elétricos também ajudaram a reduzir a dependência
chinesa em relação ao petróleo, explica Roc Shi, da Universidade de Tecnologia
de Sydney, na Austrália.
↳ Hoje, eles representam pelo
menos um terço dos automóveis novos vendidos por lá.
• "Isso significa que o
proprietário de um veículo elétrico em Pequim simplesmente não sente o impacto
na bomba de combustível quando aumenta a tensão no Oriente Médio", explica
ele.
FOLHA MERCADO