Na corda bamba
O que o Master tem a ver com a crise em um grupo de saúde? Se você
é um leitor assíduo da newsletter, sabe que a instituição financeira de Daniel
Vorcaro tem conexões com as mais variadas pessoas e empresas.
Hoje, explico o caso da Oncoclínicas, rede de clínicas oncológicas
com 146 unidades em 49 cidades do país que foi diretamente impactada pelo caso
Master.
Contexto: a organização está mal das pernas. Na semana passada, a
divulgação de seu balanço veio acompanhada da declaração sobre uma incerteza
significativa sobre quanto à "continuidade operacional". Em números:
• R$ 1,52 bilhão de prejuízo líquido
no quarto trimestre de 2025;
• R$ 238,8 milhões de Ebitda (lucros
antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no mesmo período;
• R$ 700 milhões em dívidas com
vencimento em 2026 e aproximadamente R$ 810 milhões em 2027.
Causas: inadimplência da Unimed-Ferj, redução de receitas por
causa de uma revisão na política comercial e perdas com recursos depositados no
Banco Master são fatores que afetaram sua liquidez, segundo diretores.
• R$ 430,9 milhões era quanto a
empresa tinha em CDBs do Master.
• Vorcaro detinha de 15% da rede, e
parte desses papéis agora está sob controle do BRB (Banco de Brasília).
Tentativa e erro. Ontem, os grupos Porto e Fleury desistiram de um
acordo para comprar participação na rede. As empresas tentaram estender o prazo
de exclusividade nas negociações, o que foi recusado pela Oncoclínicas.
Nos últimos dias, o grupo recebeu propostas da gestora Starboard e
do fundo Mak Capital, que detém uma fatia de 6,3%. Segundo um executivo, outras
negociações estão em andamento
Relevância. A empresa é avaliada positivamente no mercado,
já que os serviços de oncologia geram o maior lucro ambulatorial do setor de
saúde.
E agora? A companhia disse
que pedirá proteção na Justiça contra o vencimento antecipado de dívidas.
Segundo ela, a tutela terá como objetivo proporcionar um ambiente
administrativo e financeiro mais estável, e que permanecerá operando
normalmente
FOLHA MERCADO