PÃO DE AÇUCAR


O GPA (Grupo Pão de Açúcar) anunciou um acordo com seus maiores credores para apresentar um pedido de recuperação extrajudicial.

Parece, mas não é. Diferentemente de uma recuperação judicial, em que as dívidas são discutidas na Justiça, nesta modalidade a companhia escolhe um conjunto de credores para fechar uma negociação.

•      A empresa tem cerca de 90 dias para conseguir maioria simples (50% mais um) entre eles e, assim, atingir o quórum legal necessário para a validação da recuperação.

As principais companhias para quem o grupo deve são bancos. Segundo apurou a Folha, o acordo foi assinado com Itaú, Rabobank, HSBC e BTG, instituições que concentram 46% dos créditos negociados no plano. 

Sinais da derrocada. A divulgação do balanço de 2025 expôs a dimensão do problema:

•      Cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento em 2026

•      R$ 1,2 bilhão em déficit no capital circulante líquido (recursos para arcar com obrigações de curto prazo) no último trimestre

No total, a dívida da companhia chega a R$ 4,5 bilhões.

Fantasmas do passado. O GPA ainda sente as consequências das decisões tomadas pelo grupo Casino, que comandou o Pão de Açúcar entre 2012 e 2023.

A companhia francesa deixou de investir no negócio ao longo dos anos e usou o capital para reduzir o endividamento do grupo, fruto de uma expansão mal calculada.

Consultores dizem que o dinheiro da venda da participação do GPA na Casas Bahia em 2019, por exemplo, foi usado na rede Êxito, varejista colombiana. A compra, da ordem de US$ 9 bilhões, foi desfeita cinco anos depois por cerca de US$ 700 milhões.

De quando passou às mãos do Casino até sua saída, o Grupo Pão de Açúcar encolheu 64% em receita bruta.

Mais fatores. A taxa básica de juros em patamar elevado por tempo prolongado, mudanças no comportamento do consumidor e mercados regionais ganhando peso também contribuíram para a crise.

Em agosto do ano passado, o grupo sofreu uma reestruturação e a família Coelho Diniz se tornou a principal acionista.

Por enquanto… As lojas seguem funcionando normalmente e o abastecimento não será afetado, diz a empresa.

 



FOLHA DE SÃO PAULO
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