PERSPECTIVA SEMANAL


PERSPECTIVA SEMANAL

A lenta convergência: por que a inflação recua, mas a meta de 3% segue distante?

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (19/01) trouxe um alívio discreto, porém relevante: a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 recuou de 4,05% para 4,02%. 

Embora a variação seja marginal, ela sinaliza a atuação de vetores favoráveis sobre a dinâmica inflacionária projetada.

Em primeiro lugar, a revisão incorpora os efeitos de um câmbio mais comportado, com o dólar operando abaixo de R$ 5,40, o que contribui para a redução dos custos de insumos importados e para a moderação dos preços ao produtor. 

Além disso, a trajetória dos preços administrados tende a ser mais suave em 2026 em relação ao ano anterior, diante da expectativa de reajustes mais contidos em um contexto eleitoral, no qual União e estados historicamente optam por repasses mais moderados.

Ainda assim, o patamar elevado das projeções evidencia um desalinhamento relevante entre a meta de inflação, fixada em 3%, e a inflação esperada, próxima a 4%. 

Esse desvio de aproximadamente um ponto percentual revela a persistência de preocupações fiscais no horizonte mais longo, o que impõe ao Banco Central a necessidade de manter uma postura cautelosa e restritiva para evitar uma nova desancoragem das expectativas.

Nesse contexto, cabe à autoridade monetária seguir comprometida com o centro da meta, impedindo que a inércia inflacionária se consolide em um ciclo adverso. 

Para que a trajetória de revisões baixistas ganhe consistência, o mercado antecipa um processo prudente de flexibilização monetária, com eventuais cortes na taxa Selic ocorrendo de forma gradual, de modo a assegurar que o IPCA continue convergindo, de maneira sustentada, em direção à meta.

Destaques da semana

Brasil

No cenário doméstico, a agenda da semana concentra divulgações fiscais e leituras semanais de índices de preços.

    Segunda-feira: Boletim Focus; Balança Comercial Semanal; IPC-Fipe (2ª semana de janeiro).

    Terça-feira: Dados de Arrecadação Federal (dezembro).

    Sexta-feira: IPC-S (3ª semana de janeiro).

Estados Unidos:

A agenda econômica norte-americana da semana concentra divulgações relevantes de atividade, inflação e mercado imobiliário, além de pesquisas de confiança do consumidor.

    Terça-feira (20): Relatório ADP de emprego (1ª semana de janeiro); Índice de Atividade de Serviços do Fed da Filadélfia (janeiro).

    Quarta-feira (21): Gastos com Construção (outubro); Vendas de Casas Pendentes (dezembro).

    Quinta-feira (22): Divulgação do PIB (3º trimestre - revisão); Pedidos de Seguro Desemprego (janeiro); Renda das Famílias (novembro); Deflator do PCE (novembro); Sondagem Industrial do Fed de Kansas City (janeiro).

    Sexta-feira (23): S&P Global PMI (prévia de janeiro); Indicador Antecedente (novembro); Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan (prévia de janeiro); Índice de Atividade de Serviços do Fed de Kansas (janeiro); Expectativas de inflação para 1 e 5-10 anos da Universidade de Michigan (prévia de janeiro).

Europa

Na Europa, a agenda da semana concentra divulgações relevantes de inflação e mercado de trabalho, além de índices de confiança e pronunciamentos de autoridades do Banco Central Europeu (BCE).

    Segunda-feira: Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Zona do Euro (dado final de dezembro).

    Terça-feira: Índice de Preços ao Produtor (PPI) da Alemanha (dezembro); Taxa de Desemprego do Reino Unido (novembro); Pesquisa ZEW da Alemanha (janeiro); discurso de Joachim Nagel (BCE).

    Quarta-feira: CPI do Reino Unido (dezembro); Discursos de Christine Lagarde, Joachim Nagel e François Villeroy de Galhau (BCE).

    Quinta-feira: Índice de Confiança do Consumidor da Zona do Euro (prévia de janeiro).

    Sexta-feira: Índice de Confiança do Consumidor do Reino Unido (janeiro); Vendas no Varejo do Reino Unido (dezembro); PMIs de Serviços e Indústria da Alemanha (prévia de janeiro); PMIs de Serviços e Indústria da Zona do Euro (prévia de janeiro); Discurso de Christine Lagarde (BCE); Além dos S&P Global PMI da Zona do Euro e do Reino Unido (prévia de janeiro).

Ásia

Na Ásia, a agenda da semana é marcada pela decisão de política monetária no Japão, além de indicadores relevantes de crescimento econômico e atividade industrial na China.

    Segunda-feira: PIB da China (4º trimestre de 2025); Vendas no varejo da China (dezembro); Produção Industrial da China (dezembro); Produção Industrial do Japão (novembro).

    Terça-feira: Definição das taxas Prime Loan Rate (1 e 5 anos) da China (janeiro)

    Quinta-feira: Balança Comercial do Japão (dezembro).

    Sexta-feira: Índice Nacional de Preços ao Consumidor (CPI) do Japão (dezembro); Decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ); S&P Global PMI do Japão (prévia de janeiro)



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