Os três primeiros meses do ano não foram animadores para os Correios.
A
empresa teve prejuízo de R$ 3,16 bilhões, quase o dobro do registrado no mesmo
período do ano passado.
Mais detalhes.
Foram R$ 4,04 bilhões em receita bruta de vendas e
serviços, uma queda nominal de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os Correios reduziram despesas com pessoal, de R$ 2,8 bilhões para R$
2,7 bilhões (recuo de 4,1%), mesmo com aumento de 5,1% nos salários.
A alta nas despesas gerais e administrativas pesou na conta. A direção
atual reconheceu uma dívida de R$ 1,06 bilhão decorrente de ações trabalhistas,
retirada do balanço passado.
🔴 O desempenho do
trimestre é registrado depois de um prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025.
A empresa está com as contas no vermelho desde 2022.
Como chegamos até aqui? O histórico é explicado pela queda nas receitas
e pelo aumento nas despesas, pelo crescimento no volume de ações judiciais e
pela alta concorrência com novas transportadoras.
A “taxa das blusinhas”, cobrança de impostos sobre encomendas
internacionais de até US$ 50 em vigor desde 2024 e revogada em maio deste ano,
influenciou na diminuição das receitas. O plano de saúde dos funcionários
também pesou porque a empresa é responsável por eventuais débitos.
Tentativa de recuperação. Em 2025, os Correios anunciaram um plano de
reestruturação que incluiu um PDV (programa de demissão voluntária), venda de
imóveis, renegociação de contratos e busca por novas fontes de receitas.
• 3.181 funcionários aderiram ao PDV, o
que corresponde a 32% da meta de 10.000 estipulada pela diretoria.
Também conseguiram um empréstimo de R$ 12 bilhões concedido por um grupo
de cinco bancos, formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal,
Bradesco, Itaú e Santander. Em caso de inadimplência da estatal, a União deverá
arcar com o pagamento.
A estatal mudou o comando em setembro do ano passado, quando Emmanoel
Rondon assumiu a presidência.
FOLHA MERCADO