O quadro do 1º turno e a nova composição do Congresso.
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no
Brasil mostrou o favoritismo da oposição do atual governo para a disputa final.
Com 47,0% dos votos válidos para o senador Flávio Bolsonaro (PL), contra 45,2%
do atual presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), a vantagem nas urnas
superou o apontado pelas pesquisas de opinião na reta final, repetindo um
padrão histórico de subestimação do voto de direita.
A eleição mostrou forte
desempenho da oposição com um ganho de terreno abrangente em 26 dos 27 estados
frente ao observado no primeiro turno das eleições de 2022.
Para além da disputa pelo Palácio do Planalto, o resultado
promoveu uma relevante inflexão na composição do Poder Legislativo.
O movimento
foi mais marcante no Senado Federal, onde a centro-direita e a direita
conquistaram 50 das 81 cadeiras a partir de 2027.
Na Câmara dos Deputados e nos
governos estaduais, a hegemonia desse mesmo espectro também se fortaleceu. Essa
configuração indica que o próximo presidente governará com um Congresso mais
conservador.
A matemática para o segundo turno, o dia 25 de outubro, impõe um
desafio considerável à candidatura governista.
Para reverter o resultado, Lula
precisará capturar cerca de 62% dos votos dados aos demais candidatos no
primeiro turno — um eleitorado cujos votos se concentraram majoritariamente em
nomes alinhados à direita.
Como a abstenção se manteve estável em relação a
2022, a vantagem inicial da oposição decorre de uma alteração direta na
preferência do eleitor.
Vale a ressalva de que o ambiente de incerteza eleitoral até a
votação final e os eventuais anúncios de medidas econômicas durante a campanha
mantêm o alerta ligado para o ponto de partida fiscal de 2027.
As garantias de
responsabilidade com as contas públicas continuam sendo o canal direto de
transmissão para o câmbio e para o prêmio de risco dos ativos.
Em suma, as semanas até o segundo turno serão decisivas para o
desenho do cenário prospectivo, pois o mercado acompanhará de perto a
formalização dos apoios dos candidatos derrotados, o comportamento do
comparecimento às urnas e o tom dos compromissos fiscais assumidos por ambas as
candidaturas.
A sustentabilidade das contas públicas e a estabilidade das
regras do jogo permanecem como os vetores essenciais para balizar as
expectativas de inflação e o plano de voo da política monetária.
Destaques da semana
Brasil
No Brasil, o ponto alto da semana é a publicação do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, na sexta-feira. A
agenda econômica conta também com o Relatório Focus, a Pesquisa Mensal de
Serviços (PMS), na segunda-feira, dados da Balança Comercial, indicador de
inflação do IGP-DI e números de Produção e Venda de Veículos da Anfavea.
• Segunda-feira:
Resultados das Eleições 2026; Relatório Focus; Balança Comercial Semanal (1ª
semana de outubro).
• Terça-feira:
Balança Comercial (setembro).
• Quarta-feira:
Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) (setembro); Produção
e Venda de Veículos da Anfavea (setembro).
• Quinta-feira:
Índice de Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) (1ª semana de outubro).
• Sexta-feira:
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) (setembro).
Estados Unidos
A semana nos Estados Unidos terá como principal destaque a
divulgação da Ata da reunião do FOMC, na quarta-feira, e a Balança Comercial de
agosto, na terça-feira. O mercado também acompanhará os índices S&P Global
PMI Serviços e ISM Serviços, na segunda-feira, dados semanais do mercado de
trabalho, leilões de Bonds de 10 e 30 anos, além do indicador preliminar de
Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan, na sexta-feira.
• Segunda-feira
(05): S&P Global PMI Serviços (setembro final); ISM Serviços (setembro).
• Terça-feira (06):
Relatório de Emprego Privado (ADP) Semanal; Balança Comercial (agosto);
discursos de John Williams (Fed) e Lorie Logan (Fed).
• Quarta-feira (07):
Ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC); Crédito ao Consumidor (agosto);
Leilão de Bonds de 10 Anos.
• Quinta-feira (08):
Pedidos de Seguro-Desemprego Semanal; Estoques do Atacado (agosto final);
Leilão de Bonds de 30 Anos; discurso de Alberto Musalem (Fed).
• Sexta-feira (09):
Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan (outubro preliminar).
Europa
Na Europa, as atenções estarão voltadas para a publicação da Ata
do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, acompanhada por uma intensa
agenda de discursos de dirigentes do BCE e do Banco da Inglaterra (BoE). A
agenda regional traz ainda os índices S&P Global PMI Serviços finais, o
Índice de Preços ao Produtor (PPI), Vendas no Varejo, Produção Industrial e
Balança Comercial na Alemanha.
• Segunda-feira:
S&P Global PMI Serviços da Alemanha (setembro final); S&P Global PMI
Serviços da Zona do Euro (setembro final); Confiança do Investidor Sentix da
Zona do Euro (outubro); Índice de Preços ao Produtor (PPI) da Zona do Euro
(agosto); S&P Global PMI Serviços do Reino Unido (setembro final);
discursos de Martin Kocher (BCE), Claudia Buch (BCE), Joachim Nagel (BCE),
Philip Lane (BCE), Isabel Schnabel (BCE) e José Luís Escrivá (BCE).
• Terça-feira:
Pedidos às Fábricas da Alemanha (agosto); Vendas no Varejo da Zona do Euro
(agosto); discursos de Catherine Mann (BoE), Boris Vujcic (BCE) e Piero
Cipollone (BCE).
• Quarta-feira:
Produção Industrial da Alemanha (agosto); discursos de Piero Cipollone (BCE) e
Boris Vujcic (BCE).
• Quinta-feira:
Balança Comercial da Alemanha (agosto); Ata do Banco Central Europeu (BCE);
discursos de Megan Greene (BoE), Huw Pill (BoE), Andrew Bailey (BoE) e Clare
Lombardelli (BoE), Boris Vujcic (BCE) e Philip Lane (BCE).
• Sexta-feira:
Discursos de Pierre Wunsch (BCE), Piero Cipollone (BCE) e Isabel Schnabel
(BCE).
Ásia
Na Ásia, os holofotes estarão voltados para os pronunciamentos
de dirigentes monetários do Banco do Japão (BOJ), com destaque para o discurso
de Kazuo Ueda, na terça-feira. A semana conta ainda com a leitura final do
S&P Global PMI Serviços, Confiança do Consumidor, Rendimentos Salariais,
Transações Correntes e Gastos Domésticos.
• Segunda-feira:
S&P Global PMI Serviços do Japão (setembro final); Confiança do Consumidor
do Japão (setembro).
• Terça-feira:
Discurso de Kazuo Ueda (BOJ).
• Quarta-feira:
Rendimentos Salariais do Japão (agosto); Indicador Antecedente do Japão (agosto
preliminar).
• Quinta-feira:
Transações Correntes do Japão (agosto).
• Sexta-feira:
Gastos Domésticos do Japão (agosto).
SULAMERICA INVESTIMENTOS