Resposta
do Copom à Deterioração das Expectativas.
O
Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se nesta quarta-feira sob um cenário
marcado por uma forte e atípica desancoragem das expectativas de inflação.
O
relatório Focus divulgado nesta semana revelou uma deterioração de intensidade
rara na série histórica, contaminando de forma expressiva até os horizontes
mais longos — com as projeções para 2029 e 2030 avançando para 3,98% e 3,82%,
respectivamente.
Esse salto expressivo do índice de desancoragem recoloca a
credibilidade institucional no centro do debate e impõe um teste decisivo para
a autoridade monetária.
O
histórico de choques políticos e fiscais no Brasil mostra que processos de
desancoragem tendem a ser persistentes, com o pico de deterioração
concentrando-se entre cinco e sete meses após o evento inicial.
No entanto, a
evidência empírica demonstra que a postura do Banco Central é determinante para
mitigar esse contágio: quando a instituição reagiu de pronto e reafirmou seu
compromisso com a estabilidade de preços, a alta dos prazos longos foi contida.
Em contrapartida, posturas percebidas como passivas prolongaram a piora das
projeções, resultando na necessidade de correções de rota mais custosas e na
entrega forçada de altas de juros adiante.
Para
além da dinâmica das expectativas, o balanço de riscos para a inflação sofreu
nova deterioração na margem.
Observa-se um acúmulo de pressões altistas,
impulsionado pela depreciação recente da taxa de câmbio — que encarece insumos
e pressiona as cotações —, pela escalada nos preços do petróleo no mercado
internacional (com o Brent superando os US$ 110) e pelos debates em torno do
aumento de carga tributária na esteira da alíquota da CBS.
Esse conjunto de
choques de custos comprime ainda mais o espaço de manobra do comitê, tornando a
convergência da inflação no horizonte relevante uma tarefa mais árdua.
Diante
desse quadro de restrição técnica, projetamos que o Banco Central interromperá
o ciclo de calibração nesta reunião, mantendo a taxa Selic inalterada em
13,75%.
No comunicado, esperamos que a autoridade monetária retire referências
à continuidade do ciclo e adote um tom marcadamente vigilante, enfatizando que
a desancoragem nos prazos longos eleva substancialmente o custo da desinflação.
Em
suma, o Copom deve colocar a defesa do mandato no centro de sua mensagem,
reafirmando que não hesitará em adotar as medidas necessárias para assegurar a
trajetória de metas. Insistir em flexibilizações diante de um choque dessa
magnitude traz riscos de intensificar a desancoragem das expectativas.
Destaques da semana
Brasil
No
Brasil, a semana é marcada pela Decisão de Taxa de Juros do Comitê de Política
Monetária (Copom) e pelos dados de emprego formal do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (CAGED) na quarta-feira. A agenda doméstica conta
ainda com o Relatório Focus, a Produção Industrial Mensal (PIM) na
quinta-feira, os números da Balança Comercial de outubro e indicadores de
inflação IPC-S e IPC-FIPE.
• Segunda-feira: Feriado Nacional (Finados).
• Terça-feira: Relatório Focus; Índice de
Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) (1ª semana de novembro); S&P Global
PMI Industrial (outubro).
• Quarta-feira: Decisão de Taxa de Juros;
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) (setembro); Índice de
Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) (outubro).
• Quinta-feira: Produção Industrial Mensal
(PIM) (setembro); S&P Global PMI Serviços (outubro).
• Sexta-feira: Balança Comercial (outubro).
Estados
Unidos
A
semana nos Estados Unidos terá como ponto alto a publicação do relatório
Payroll e da Taxa de Desemprego na sexta-feira, acompanhados pela leitura
preliminar de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan. Ao longo dos
dias, os investidores acompanharão de perto o mercado de trabalho com o JOLTS e
o ADP, as leituras dos índices ISM de Manufatura e Serviços, além de uma
intensa agenda de discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed).
• Segunda-feira (02): S&P Global PMI
Industrial (outubro final); ISM Manufatura (outubro); Gastos com Construção
(setembro); Discurso de Austan Goolsbee (Fed).
• Terça-feira (03): Relatório de Ofertas de
Emprego e Rotatividade do Trabalho (JOLTS) (setembro); Encomendas de Bens
Duráveis (setembro final); Pedidos às Fábricas (setembro).
• Quarta-feira (04): Relatório de Emprego
Privado (ADP) Semanal; Balança Comercial (setembro); S&P Global PMI
Serviços (outubro final); ISM Serviços (outubro).
• Quinta-feira (05): Pedidos de
Seguro-Desemprego Semanal; Custo Unitário do Trabalho (terceiro trimestre
preliminar); Discurso de Beth Hammack (Fed), Thomas Barkin (Fed) e Lorie Logan
(Fed).
• Sexta-feira (06): Relatório de Emprego
(Payroll) (outubro); Taxa de Desemprego (outubro); Confiança do Consumidor da
Universidade de Michigan (novembro preliminar); Crédito ao Consumidor
(setembro); Discurso de John Williams (Fed), Alberto Musalem (Fed) e Michelle
Bowman (Fed).
Europa
Na
Europa, os holofotes estarão voltados para a Decisão de Taxa de Juros do Banco
da Inglaterra (BoE) na quinta-feira e para a prévia do Índice de Preços ao
Consumidor (CPI) da Zona do Euro na quarta-feira. A agenda da região contempla
ainda dados finais dos índices S&P Global PMI Industrial e de Serviços,
Vendas no Varejo, Produção Industrial da Alemanha e uma expressiva bateria de
discursos de autoridades do Banco Central Europeu (BCE).
• Segunda-feira: Vendas no Varejo da Alemanha
(setembro); S&P Global PMI Industrial da Alemanha (outubro final); S&P
Global PMI Industrial da Zona do Euro (outubro final); S&P Global PMI
Industrial do Reino Unido (outubro final); Discurso de Boris Vujcic (BCE),
Gabriel Makhlouf (BCE), José Luís Escrivá (BCE), Jean-Pierre Moulin (BCE) e
Dimitar Radev (BCE).
• Terça-feira: Discurso de José Luís Escrivá
(BCE), Dimitar Radev (BCE), Martin Kocher (BCE), Primoz Dolenc (BCE),
Jean-Pierre Moulin (BCE), Joachim Nagel (BCE) e Olaf Sleijpen (BCE).
• Quarta-feira: S&P Global PMI Serviços
da Alemanha (outubro final); S&P Global PMI Serviços da Zona do Euro
(outubro final); Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Zona do Euro (outubro
preliminar); S&P Global PMI Serviços do Reino Unido (outubro final);
Discurso de Philip Lane (BCE).
• Quinta-feira: Decisão de Taxa de Juros do
Reino Unido; Pedidos às Fábricas da Alemanha (setembro); Índice de Preços ao
Produtor (PPI) da Zona do Euro (setembro); Discurso de Piero Cipollone (BCE),
Jean-Pierre Moulin (BCE), Isabel Schnabel (BCE), Ante Zigman (BCE), Christine
Lagarde (BCE), Joachim Nagel (BCE) e Primoz Dolenc (BCE).
• Sexta-feira: Produção Industrial da
Alemanha (setembro); Vendas no Varejo da Zona do Euro (setembro); Discurso de
Philip Lane (BCE).
Ásia
Na
Ásia, o mercado financeiro monitora as leituras do RatingDog PMI Industrial e
de Serviços na China, fundamentais para avaliar o ritmo da atividade produtiva
no país. No Japão, o destaque fica por conta da publicação da Ata da Reunião de
Política Monetária do Banco do Japão (BOJ) na quinta-feira, além de indicadores
de PMI, Base Monetária e Rendimentos Salariais.
• Segunda-feira: S&P Global PMI
Industrial do Japão (outubro final); RatingDog PMI Industrial da China
(outubro).
• Terça-feira: Sem indicadores relevantes
previstos na agenda.
• Quarta-feira: Base Monetária do Japão
(outubro); RatingDog PMI Serviços da China (outubro).
• Quinta-feira: Ata da Reunião de Política
Monetária do Japão (setembro); S&P Global PMI Serviços do Japão (outubro
final).
• Sexta-feira: Rendimentos Salariais do Japão
(setembro).
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