STF abre caminho, e empresas pulam instâncias e vão
direto à corte contra decisões trabalhistas.
Tribunal aceita
38% das reclamações na área, contra 28% nas ações em geral
O STF (Supremo Tribunal Federal) tem ampliado o espaço
para empresas pularem o itinerário tradicional de uma ação e irem direto à
corte derrubar decisões da Justiça do Trabalho.
Por meio de casos pontuais, a
corte tem reduzido a atuação dos tribunais especializados ao mesmo tempo em que
afrouxa a legislação trabalhista.
Um dos pontos-chave para isso foi a liberação
da terceirização da atividade-fim em 2018.
Mas o fenômeno tem se intensificado com outros temas, como o da pejotização
—quando empresas contratam funcionários como pessoa jurídica para não arcar com
encargos trabalhistas— e o da relação com plataformas digitais de transporte e
de entregas.
A flexibilização no STF tem ocorrido por meio das
reclamações, um tipo de ação criada para preservar os precedentes da corte
quando um tema pacificado é desrespeitado por juízes ou tribunais pelo país.
Por essa via, chega-se ao Supremo sem ter de enfrentar cada etapa da Justiça.
Parte da nova jurisprudência trabalhista tem sido,
assim, construída dessa maneira.
Para isso, o STF tem flexibilizado a aceitação
desse tipo de ação nessa área: enquanto apenas 28% das reclamações gerais foram
consideradas procedentes, 38% das trabalhistas tiveram essa resposta,
considerando dados reunidos pelo STF desde o ano 2000.
FOLHA DE SÃO PAULO