PERSPECTIVA SEMANAL


Bancos centrais reforçam cautela diante do choque do petróleo, enquanto o Brasil destoa na comunicação.

A semana passada foi marcada por reuniões de política monetária de vários bancos centrais ao redor do mundo. Entre as economias desenvolvidas, predominou um tom mais “hawkish”, com reforço da cautela diante da alta dos preços de petróleo e derivados causada pela guerra no Oriente Médio e seus potenciais efeitos inflacionários. 

De forma geral, houve uma mudança clara na comunicação, com diferentes autoridades monetárias ressaltando que cenários mais adversos podem exigir manutenção prolongada de juros altos ou até novas altas.

Entre os destaques, o Reserve Bank of Australia elevou os juros em 0,25 ponto, enquanto o Banco da Inglaterra decidiu, de forma unânime, manter a taxa básica, algo pouco comum recentemente, e ainda sinalizou um viés mais altista à frente. 

No caso britânico, chamou atenção o fato de que até membros tradicionalmente mais “dovish” revisaram sua leitura, passando a enfatizar com mais força os riscos inflacionários. 

Já o Banco Central Europeu adotou uma postura mais ponderada, embora suas projeções indiquem que, em cenários extremos, a contaminação dos núcleos de inflação pode exigir ajustes altistas na taxa de juros.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também adotou uma postura cautelosa, sem mudanças relevantes na comunicação. 

O principal destaque foi a maior coesão entre os membros do board em torno do diagnóstico de apenas um corte de juros em 2026. 

Além disso, a sinalização do presidente do banco central americano Jerome Powell de que permanecerá no cargo até a conclusão das investigações contra ele contribuiu para reduzir incertezas institucionais no curto prazo. 

Esse conjunto de fatores aumentou a probabilidade de cenários mais conservadores para a política monetária dos EUA, com o risco de ausência de cortes crescendo na margem.

Ainda assim, seguimos projetando dois cortes de juros nos EUA neste ano, com base no diagnóstico de desaceleração do mercado de trabalho. 

Esse movimento pode ganhar força caso o consumo enfraqueça mais adiante, em função da perda de poder de compra causada pela alta dos combustíveis. 

Ou seja, embora o risco de um Fed mais conservador tenha aumentado, nossa leitura ainda é de que a desaceleração da demanda deve abrir espaço para alguma flexibilização ao longo do tempo.

No Brasil, o Banco Central também adotou uma postura mais cautelosa do que a esperada antes da guerra no Oriente Médio, ao optar por um corte de 0,25 ponto. 

Ainda assim, o comunicado teve tom “dovish”, em uma postura que destoou da maior parte dos demais bancos centrais. 

A ata que será divulgada amanhã deve trazer informações adicionais importantes para calibrar melhor essa leitura e entender até que ponto o Comitê de Política Monetária buscou apenas preservar flexibilidade ou, de fato, manter aberta a porta para a continuidade, e aceleração, do ciclo de cortes.

Destaques da semana 

Brasil
No cenário doméstico, os grandes destaques da semana são a divulgação da Ata do Copom, a prévia da inflação oficial (IPCA-15) e o Relatório de Política Monetária (RPM), além de dados sobre o mercado de trabalho.

•    Segunda-feira: IPC-S (3ª semana de março); Relatório Focus; Balança Comercial (3ª semana de março).
•    Terça-feira: Ata do Copom.
•    Quarta-feira: FIPE CPI (3ª semana de março); Confiança do Consumidor (março).
•    Quinta-feira: Relatório de Política Monetária; IPCA-15 (março).
•    Sexta-feira: Conta Corrente (fevereiro); Taxa de Desemprego (fevereiro).

Estados Unidos
A agenda norte-americana é focada em prévias de Índices de Gerentes de Compras (PMIs), sondagens regionais de atividade, dados de confiança do consumidor e pronunciamentos de autoridades monetárias.

•    Segunda-feira (23): Índice de Atividade Nacional do Fed Chicago (fevereiro); Gastos com Construções (janeiro).
•    Terça-feira (24): ADP Semanal; S&P Global PMI (prévia de março); Índice de Atividade da Indústria do Fed Richmond (março).
•    Quarta-feira (25): Preços de Importações (fevereiro); Conta Corrente (4º trimestre de 2025); discursos de Michael Barr e Stephen Miran (Fed).
•    Quinta-feira (26): Pedidos de Seguro Desemprego Semanal; discurso de Lisa Cook (Fed).
•    Sexta-feira (27): Confiança do Consumidor da Univ. de Michigan (final de março); Índice de Atividade de Serviços de Kansas City (março); discursos de Miran, Philip Jefferson, Barr, Mary Daly e Anna Paulson (Fed).

Europa
Na Europa, a semana concentra divulgações de pesquisas de confiança e clima de negócios, acompanhados de leituras de inflação no Reino Unido e uma extensa lista de discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE).

•    Segunda-feira: Confiança do Consumidor da Zona do Euro (prévia de março).
•    Terça-feira: S&P Global PMI da Alemanha (prévia de março); S&P Global PMI da Zona do Euro (prévia de março); S&P Global PMI do Reino Unido (prévia de março); discursos de Martin Kocher, Olaf Sleijpen e Philip R. Lane (BCE).
•    Quarta-feira: CPI do Reino Unido (fevereiro); RPI do Reino Unido (fevereiro); discursos de Christine Lagarde, Philip R. Lane, Olli Rehn e Martin Kocher (BCE); IFO - Pesquisa de Clima de Negócios da Alemanha (março).
•    Quinta-feira: GFK - Confiança do Consumidor da Alemanha; discursos de Luis de Guindos e Madis Müller (BCE).
•    Sexta-feira: Vendas no Varejo do Reino Unido (fevereiro); Expectativas de 1 e 3 anos do BCE (fevereiro).

Ásia
A agenda asiática é dedicada a dados do Japão, abrangendo índices de inflação, atividade industrial, indicadores antecedentes e encomendas de máquinas.

•    Terça-feira:  CPI do Japão (fevereiro); S&P Global PMI do Japão (prévia de março).
•    Quarta-feira: Indicador Antecedente do Japão (final de janeiro); Pedidos de Máquinas do Japão (final de fevereiro).
•    Quinta-feira: PPI do Japão (fevereiro).
 

 



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