Dell aposta em IA corporativa com servidores
próprios e alerta para riscos
- Executivo destaca perigo de investir demais sem planejamento em IA
- Falta de mão de obra qualificada e alta carga tributária são
gargalos para tecnologia no país
As empresas não podem depender apenas de provedores
de nuvem para acessar os modelos mais avançados de inteligência artificial.
A
próxima fase da tecnologia aponta para a adoção de servidores próprios, em um
ambiente com maior proteção de informações confidenciais, diz Luis Gonçalves,
presidente da Dell para a América Latina.
"A gente já começa ver a IA corporativa sair
do laboratório e ir para implementação. Esse é um mercado que apenas começou e
vai abrir muitas oportunidades", diz Gonçalves.
Na carteira da empresa, segundo o executivo, há
organizações tão distintas quanto terminais portuários, mineradoras, como a
Vale, e tribunais de Justiça, como o TJ de São Paulo. Todas já operam com
servidores próprios.
A Dell tem hoje cerca de 65% de sua receita
vinculada a equipamentos de infraestrutura para a inteligência artificial.
"A empresa soube ler os sinais do mercado e se adaptar."
Gonçalves reconhece que a inteligência artificial
acelerou o processo de transformação da própria Dell, que, assim como empresas
como Nokia e Cisco –protagonistas da era das pontocom, na
década de 1990–, precisou se repensar.
Mais de 95% dos equipamentos vendidos pela Dell no Brasil
são fabricados localmente, na única fábrica da empresa no mundo que
atende exclusivamente o mercado local, em Hortolândia.
Segundo o executivo, o Brasil tem escala suficiente para sustentar o
negócio. Ainda assim, "idealmente", a empresa gostaria de
fazer do país uma plataforma de exportação.
Isso poderia se tornar realidade, diz o executivo,
quando forem superados entraves econômicos que tornam os produtos fabricados no
país menos competitivos no exterior. "Um computador hoje na
Argentina chega mais barato [comprado] da China do que do Brasil", diz.
FOLHA DE SÃO PAULO