Em março, o governo Lula assinou uma medida provisória para conter o
aumento de preços dos combustíveis causado pela guerra do Irã.
Não tá lembrado?
O pacote zera tributos federais (PIS e a Cofins) sobre o diesel,
estabelece o pagamento de incentivos financeiros a produtores e importadores e
institui um imposto de exportação de petróleo.
Dias depois, o governo propôs um subsídio extra de R$ 1,20 por litro na
importação de diesel, por um período de dois meses. R$ 0,60 seriam custeados
pela União, e os outros R$ 0,60 pelos estados.
Se implementado, será um benefício extra em relação ao incentivo pago
aos produtores e importadores do combustível no valor de R$ 0,32 por litro,
previsto na medida provisória. Na prática, o subsídio final ficaria em R$ 1,52
por litro.
Quem aderiu?
Segundo a Folha, ao menos 21 governadores deram sinal verde para a
proposta. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou que apenas duas unidades
federativas recusaram o plano.
Outra ausência preocupa. As maiores distribuidoras de combustível do
país ficaram de fora da primeira fase do programa.
O prazo de inscrição para receber a subvenção pelas vendas em março se
encerrou na terça-feira (31) sem a participação da Vibra, Ipiranga e Raízen, de
acordo com pessoas com conhecimento no assunto.
Por que importa?
As gigantes do setor são responsáveis por metade das importações
privadas do combustível e venderam o diesel ao preço internacional —suscetível
às oscilações do mercado.
A ausência de companhias relevantes reduz a eficácia do programa, cujo
objetivo é impedir repasses da escalada das cotações internacionais ao valor
final do combustível, que já subiu 24% nas bombas desde o início da guerra.
E agora? O governo Lula discute possíveis ajustes no programa. Segundo
um integrante da equipe econômica, os ajustes seriam técnicos e não envolvem
alterações no valor da subvenção.
FOLHA MERCADO