Donald
Trump teve na última semana o que mais gosta: estar no centro das atenções.
Ataques entre os EUA e o Irã foram retomados, o republicano ameaçou —e depois
voltou atrás— criar um pedágio em Hormuz e, ontem, tarifou o Brasil.
Se
você perdeu a notícia mais recente, relembro brevemente: depois de investigar o
país em inúmeras áreas, o USTR (Escritório do Representante do Comércio dos
EUA) recomendou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Na
quarta, Trump acatou a indicação da entidade. As taxas devem entrar em vigor em
22 de julho e afetarão 26% das exportações do país, segundo a CNI (Confederação
Nacional da Indústria). O governo estima que elas atingem 18% das vendas aos EUA.
Quem
será taxado…
Máquinas agrícolas, roupas, papel, açúcar orgânico e equipamentos
eletrônicos. São cerca de 4.000 produtos afetados.
A
indústria de calçados, por exemplo, diz que a nova taxa torna muitas operações
insustentáveis. O segmento exporta para mais de 160 países, mas os EUA são o
principal destino.
• Cerca de 20% de tudo que eles enviam vai
para lá.
• 7,1% das vendas de calçados serão
afetadas.
Setores
brasileiros com maior valor exportado para os EUA em 2025, em bilhões de
dólares
Quem
ficou de fora…
Respira aliviado, pelo menos por enquanto. São mais de 2.100
produtos na lista de exceções, que inclui carne, café, mel orgânico e hidróxido
de alumínio, entre outros. Os itens são essenciais para evitar uma escassez no
mercado americano.
O
USTR deve encerrar, em breve, os procedimentos a respeito de outra
investigação. Desta vez, a entidade apurou o suposto uso de trabalho forçado em
59 países e na UE. Em junho, recomendou um tarifaço de 12,5% aos alvos, e Trump
deve decidir se aplicará a taxa.
Setores
isentos acreditam que a lista deve se repetir, mas ainda não têm certeza.
Briga
de gente grande. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, culpou Lula pelo
novo tarifaço.
No
último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo
bem-estar do povo brasileiro | MARCO
RUBIO
O
chanceler brasileiro, Mauro Vieira, rebateu as falas de Rubio e disse que são
inaceitáveis e ofensivas.
Claramente,
o que incomoda o governo dos EUA é o fato de o Brasil não ter se curvado às
pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis | MAURO
VIEIRA
Falando
em governo…
A gestão anunciou um programa para apoiar empresários prejudicados
pelas taxas. A linha de crédito Brasil Soberano será reforçada, e os ministros
discutirão a Lei de Reciprocidade com Lula, que decidirá se a medida será
aplicada.
↳ A legislação permite que produtos americanos sejam taxados.
O
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pediu que o
Ministério da Fazenda liberasse R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de
crédito.
Leia
mais sobre a novidade:
Sobe
e desce. O USTR sinalizou que as tarifas podem aumentar ou cair dependendo de
como o Brasil reagir.
E
o culpado é…
O governo Lula, segundo a Fiesp. A entidade culpa a gestão por
“ruídos desnecessários”.
Campeão.
O Brasil é o país que mais viu tarifas aumentarem desde que Trump voltou ao
poder.
FOLHA MERCADO