PERSPECTIVA SEMANAL


Impactos globais da crise em Ormuz são menores do que o esperado, mas riscos de agravamento persistem.

A crise no Estreito de Ormuz representou um choque severo para a economia global, resultando na interrupção de 10 a 15 milhões de barris por dia (mbd) na oferta por mais de 70 dias. 

Embora os impactos estruturais mais profundos dessa restrição ainda possam se materializar no longo prazo, o cenário de curto prazo evitou projeções mais pessimistas. 

A curva futura de preços aponta para o barril a US$ 90 no final de 2026 e a US$ 80 no médio prazo. 

Além disso, ainda não houve relatos de falta generalizada de combustível, com exceção aos eventos isolados no início da crise.

A principal razão para os preços não terem apresentado um nível pessimista foi o duplo movimento de aumento nas exportações dos Estados Unidos e de redução nas importações da China. 

Somados, esses fatores conseguiram absorver cerca de 9,3 mbd do déficit global de petróleo (sendo 5,5 mbd provenientes da menor demanda chinesa e 3,8 mbd do aumento das exportações americanas).

A redução das importações chinesas decorre de três fatores principais: a restrição de exportações de derivados, o menor acúmulo de estoques e a desaceleração econômica interna. 

Ao longo dos últimos quatro anos, o governo chinês aumentou seus estoques estratégicos, aproveitando os preços baixos, a ponto de conseguir suprir a demanda total do país por oito meses, mesmo com importações zeradas. 

Essa demanda para acúmulo equivalia a cerca de 0,7 mbd e, naturalmente, deixou de existir durante a crise, momento em que os estoques passaram a ser utilizados.

Contudo, dados preliminares de abril indicam que os estoques chineses permaneceram estáveis. 

Isso decorre tanto das restrições às exportações de derivados da China (a China era importante fornecedora de diversos produtos, chegando a 15% do mercado global de querosene de aviação, por exemplo) quanto da performance de certos setores específicos da economia chinesa, como o consumo das famílias. 

A economia da China segue crescendo em ritmo próximo ao do ano passado, mas em um formato de "K", com o setor exportador vigoroso e o mercado interno mais lento.

Além do papel fundamental dos EUA e da China, o elevado nível de estoques globais no início da crise ajudou a conter os preços. 

Diferentemente de 2022 - no começo da guerra Ucrânia-Rússia, quando os estoques mundiais estavam baixos -, a crise de Ormuz começou com volumes recordes. Por isso, agentes de mercado consideram a duração do conflito como a variável mais crítica, já que a economia global pode operar normalmente por semanas ou meses consumindo essas reservas. 

Dado o avanço das negociações entre Irã e EUA, a expectativa de um retorno à normalidade prevaleceu e estabilizou os preços futuros.

Entretanto, esse alívio tem prazo de validade. Estimativas indicam que os estoques da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) atingirão níveis críticos em junho. 

Caso o bloqueio se prolongue além deste mês, um cenário bullish (de alta acentuada) para o petróleo torna-se mais provável, com o barril podendo variar entre US$ 130 e US$ 150.

 Destaques da semana

Brasil

No cenário doméstico, a atenção se volta para a leitura oficial da inflação (IPCA), os resultados das vendas no varejo (PMC) e a pesquisa mensal de serviços (PMS).

    Segunda-feira: Relatório Focus; FIPE CPI (1ª semana de maio); Balança Comercial (1ª semana de maio).

    Terça-feira: IPCA (abril).

    Quarta-feira: Vendas no Varejo (março).

    Sexta-feira: Pesquisa Mensal de Serviços (março).

Estados Unidos

A agenda norte-americana traz dados de inflação (CPI e PPI), vendas no varejo, produção industrial e um encontro diplomático entre Donald Trump e Xi Jinping.

    Segunda-feira (11): Vendas de Casas Existentes (abril).

    Terça-feira (12): NFIB - Confiança do Pequeno Empresário (abril); ADP Semanal; CPI (abril); discurso de Goolsbee (Fed); Resultado Fiscal (abril).

    Quarta-feira (13): PPI (abril); discursos de Susan Collins e Neel Kashkari (Fed).

    Quinta-feira (14): Preços de Bens Importados (abril); Pedidos de Seguro-Desemprego Semanal; Vendas no Varejo (abril); discursos de Beth Hammack e Michael Barr (Fed); Reunião entre Donald Trump e Xi Jinping.

    Sexta-feira (15): Índice Empire Manufacturing (maio); Produção Industrial (abril); Reunião entre Donald Trump e Xi Jinping.

Europa

Na Europa, o calendário tem como foco a divulgação de dados do Produto Interno Bruto (PIB) no Reino Unido e na Zona do Euro, além de indicadores de produção industrial, inflação e expectativas econômicas.

    Terça-feira: CPI da Alemanha (final de abril); Pesquisa Zew da Alemanha (maio); discurso de Milan Dolenc (BCE).

    Quarta-feira: Discurso de Radev (BCE); PIB da Zona do Euro (1º trimestre do ano); Produção Industrial da Zona do Euro (março); Taxa de Desemprego da Zona do Euro (1º trimestre).

    Quinta-feira: PIB do Reino Unido (prévia do 1º trimestre); Produção Industrial do Reino Unido (março).

Ásia

A semana na Ásia conta com divulgações do Japão, abrangendo indicador antecedente, transações correntes, preços ao produtor e encomendas do setor de máquinas.

    Terça-feira: Indicador Antecedente do Japão (prévia de março).

    Quarta-feira: Conta Corrente do Japão (março).

    Sexta-feira: PPI do Japão (abril); Encomendas de Máquinas do Japão (prévia de abril).



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