Dívida bruta do Brasil se mantém em 82,9% do PIB em
setembro, maior nível desde 2021, mostra BC
- No terceiro mandato do governo Lula (PT), a alta do endividamento
do país chega a 11,2 pontos percentuais
- Setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 5,5
bilhões; resultado negativo foi puxado por estados, municípios e estatais
A
dívida bruta do Brasil se manteve em 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro, mesmo nível de
agosto e maior índice desde 2021, conforme dados divulgados pelo Banco Central
nesta quinta-feira (29). O saldo equivale a R$ 11,1 trilhões.
Em
março daquele ano, o indicador estava em 85,1% do PIB, em um momento marcado
pela alta dos gastos públicos devido à pandemia de Covid-19.
A dívida bruta
—que compreende governo federal, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e
governos estaduais e municipais— é um dos principais indicadores econômicos
observados pelos investidores na hora de avaliar a saúde das contas públicas do país.
A comparação é
feita em relação ao PIB para mostrar se a dívida do governo é sustentável. A
trajetória da dívida bruta é um dos focos de preocupação do mercado financeiro.
No terceiro
mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida bruta saltou
11,2 pontos percentuais. Em dezembro de 2022, antes da posse do petista, o
indicador estava em 71,7% do PIB.
A pressão sobre a dívida pública cresceu com as
medidas adotadas pelo governo Lula de olho nas eleições, que alcançaram R$ 290
bilhões, considerando valores previstos para 2026 e 2027. Como mostrou a Folha,
o tamanho da conta a ser paga ameaça travar a próxima gestão.
O tema está no
centro da preocupação dos economistas, que veem necessidade de um ajuste nas contas públicas de pelo menos R$ 250 bilhões
no próximo mandato para estabilizar o indicador.
Neste ano, o
avanço acumulado da dívida bruta é de 4,3 pontos percentuais do PIB. O
crescimento do endividamento do país foi influenciado, sobretudo, pelos gastos
com juros.
FOLHA DE SAO PAULO