Famílias vivem dilema sobre monitorar ou não o
celular de idosos.
- Questão se coloca diante de riscos como golpes e vício em jogos de
azar
- Diálogo sobre tecnologia e busca pelo respeito à autonomia são
essenciais
Mal passou a fase de se preocupar com o que os
filhos fazem no mundo digital, a geração sanduíche agora se volta à relação dos
pais idosos com a tecnologia.
Esse grupo de adultos de meia-idade é aquele
"ensanduichado" entre os cuidados com os filhos e com os pais. E que
se depara com dilemas novos na sociedade diante do aumento da longevidade e da
disseminação dos smartphones, inclusive entre os mais velhos.
Esse cenário leva as famílias a se preocuparem com
perigos como os golpes, os cassinos online e até o vício em smartphones, que
rondam qualquer pessoa hoje em dia, e os idosos em particular.
A tecnologia torna-se, portanto, uma camada
fundamental do debate sobre como equilibrar o respeito à autonomia dos mais
velhos e a necessidade de apoiá-los.
O
controle parental, nesse caso, inverte a sua lógica original, que é a do
monitoramento que os pais fazem das atividades online dos filhos crianças e
adolescentes, para tentar protegê-los de riscos do uso inapropriado.
Quando é um idoso mais vulnerável, já apresenta
dificuldades visuais, auditivas e, principalmente, tem algum comprometimento
cognitivo, costumo recomendar a utilização de aplicativos de controle parental,
para os familiares poderem monitorar o que o idoso está utilizando no celular,
o tempo de uso etc
Rodrigo Machado | psiquiatra e coordenador do
Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP
De
acordo com a pesquisa TIC Domicílio 2025, 71% do total de internautas
brasileiros com mais de 16 anos utilizaram o Gov.br; no caso dos 60+ foram 53%.
Dentre aqueles com mais de 60 anos que não utilizaram o serviço, 73% disseram
preferir fazer o contato pessoalmente, 55% têm preocupação com a segurança de
dados e 39% acharam difícil realizar o serviço pela internet.
FOLHA DE SÃO PAULO