PERSPECTIVA SEMANAL


O paradoxo macroeconômico - Alívio no balanço de riscos, mas ainda longe da meta de 3%. 

O cenário global trouxe um importante alívio nos últimos dias com a normalização do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz, que provocou a queda nos preços do petróleo e uma descompressão generalizada de riscos. 

O consenso do mercado em relação à commodity mudou rapidamente, com o barril do tipo Brent (referência mundial) operando próximo ao patamar de US$ 70.

Esse alívio global já começa a refletir nos números locais, embora a dinâmica da inflação ainda exija ressalvas estruturais importantes. 

No Boletim Focus da semana passada, as expectativas para o IPCA deste ano permaneceram estáveis em 5,33%, um dado muito bem recebido por interromper uma incômoda sequência de 15 semanas consecutivas de elevação. 

Na edição desta semana, registrou uma queda de 3 bps nas projeções do IPCA para 2026.

Dessa forma, embora a nossa projeção oficial para o IPCA de 2026 continue mantida em 5,40%, a análise detalhada do balanço de riscos passou a apontar para um viés baixista no curto prazo. 

Essa descompressão marginal é vista de forma positiva, pois ajuda a romper o ciclo vicioso em que revisões altistas sucessivas retroalimentavam o pessimismo do mercado e a desancoragem das expectativas para o Brasil.

Entre os vetores que trazem um alívio potencial, destacam-se a perspectiva de manutenção da bandeira elétrica verde e uma curva menos pressionada para os preços da gasolina. Além disso, o segmento de bens industriais mostrou sinais de maior arrefecimento.

Por outro lado, o balanço de riscos demonstra que esse alívio não é absoluto, encontrando resistência nos preços de componentes voláteis. 

Os alimentos in natura, em patamar ainda mais pressionado pelo El Niño, adicionam risco de alta. 

Essa pressão setorial acende um sinal de alerta e reforça que, se por um lado os itens administrados e industriais dão fôlego ao cenário, o comportamento da inflação de alimentos ainda exige atenção por ser muito exposto a fatores climáticos.

Portanto, apesar da melhora externa, o ambiente econômico brasileiro não sinaliza um espaço confortável para retornar ao patamar de juros mais baixos do passado. 

Dados robustos do PIB do primeiro trimestre de 2026 e a resiliência do mercado de trabalho indicam que a economia segue especialmente forte. 

O reflexo do mercado de trabalho aquecido é uma inflação de serviços persistente, que se mostra incompatível com a meta de 3%.

Em suma, o balanço de riscos atual sinaliza que a inflação pode ter encontrado um teto temporário, reduzindo as chances de cenários de estresse extremo no curto prazo. 

Contudo, a manutenção da projeção em 5,40% reflete o entendimento de que o processo de desinflação estrutural segue complexo.

 Destaques da semana

Brasil

No panorama doméstico, as atenções se voltam fortemente para a divulgação do índice oficial de inflação, o IPCA de junho. A agenda nacional também conta com a tradicional publicação do Relatório Focus, dados de produção de veículos pela Anfavea e outras leituras de preços como o IGP-DI, IPC-S e FIPE.

    Segunda-feira: Relatório Focus.

    Terça-feira: IGP-DI (junho); Anfavea (junho).

    Quarta-feira: IPC-S (1ª semana de julho).

    Quinta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

    Sexta-feira: FIPE CPI (1ª semana de julho); IPCA (junho).

Estados Unidos

A A agenda norte-americana ganha destaque com a divulgação da ata do FOMC, além dos importantes índices do setor de serviços (ISM e PMI). A semana também conta com dados sobre a balança comercial e discursos de membros do Federal Reserve (Fed).

    Segunda-feira (06): S&P Global PMI Serviços (junho); ISM Serviços (junho); Discurso de Christopher Waller (Fed).

    Terça-feira (07): ADP Semanal; Balança Comercial (maio); Expectativas de Inflação de 1 ano do Fed de Nova York (junho).

    Quarta-feira (08): Estoques do Atacado (maio); Ata do FOMC; Crédito ao Consumidor (maio).

    Quinta-feira (09): Pedidos semanais de Seguro-desemprego; Discursos de John C. Williams e Lorie K. Logan (Fed); Vendas de Casas Existentes (junho).

    Sexta-feira (10): Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

Europa

Na Europa, a semana é marcada por uma agenda intensa de discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE). Nos indicadores, os destaques ficam para os dados de inflação ao produtor (PPI) e vendas no varejo da Zona do Euro, além dos números da indústria, balança comercial e inflação ao consumidor (CPI) da Alemanha.

    Segunda-feira: Pedidos de Máquinas da Alemanha (maio); Sentix - Confiança do Investidor da Zona do Euro (julho); PPI da Zona do Euro (maio); discursos de Isabel Schnabel, Pierre Wunsch, Christine Lagarde e Philip R. Lane (BCE); Vendas no Varejo da Zona do Euro (maio).

    Terça-feira: Produção Industrial da Alemanha (prévia de maio); discursos de Martin Kocher e Fabio Panetta (BCE).

    Quarta-feira: Discursos de Martin Kocher, Joachim Nagel, Primož Dolenc e Moulin (BCE).

    Quinta-feira: Balança Comercial da Alemanha (maio); discurso de José Luis Escrivá (BCE).

    Sexta-feira: CPI da Alemanha (final de junho); discursos de Boris Vujčić e Yannis Stournaras (BCE).

Ásia

A agenda asiática traz como principal destaque os dados de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) da China. No Japão, o foco está na divulgação da conta corrente, inflação ao produtor e do indicador antecedente.

    Terça-feira: Indicador Antecedente do Japão (prévia de maio).

    Quarta-feira: Conta Corrente do Japão (maio).

    Quinta-feira: PPI da China (junho); CPI da China (junho).

    Sexta-feira: PPI do Japão (junho).



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