PRINCIPAIS MERCADOS


Agosto foi marcado por alta na taxa de juros das principais economias globais, em especial nos vencimentos mais longos.

Há diversas razões possíveis para esse movimento, mas a maior emissão tanto de governos, com déficits públicos aumentando nas principais economias, como de empresas, com o boom de investimento em I.A., parece ser a principal explicação.

O governo americano chegou a intervir no mercado, com aumento das recompras dos títulos mais longos, a partir da metade do mês, com efeitos limitados.

Houve também intervenção para conter a depreciação do iene, feita em conjunto por autoridades japonesas e americanas.

No Brasil, os dados de atividade econômica mostraram continuidade do processo de desaceleração. 

O PIB do 2º trimestre teve crescimento de 0,5% T/T, contra 1,1% T/T no trimestre anterior, mostrando uma desaceleração acima do esperado do consumo das famílias.

Os dados mensais de atividade também corroboraram isso, com a produção industrial caindo -1,8% M/M em junho e avançando apenas 0,2% M/M em julho, contra expectativa de 0,5% M/M.

As vendas no varejo e a pesquisa mensal de serviços surpreenderam para cima, mas ainda com taxa baixa de crescimento na margem (0,5% M/M e 0,0% M/M, respectivamente).

O CAGED de julho veio abaixo das expectativas (58 mil vagas, contra 115 mil esperadas e dado anterior de 145 mil), mas a taxa de desemprego seguiu em patamar baixo, de 5,3%.

Os dados de inflação vieram em sua maioria baixos, com o IPCA de julho em 0,07% M/M e o IPCA-15 de agosto em -0,40% M/M, mas ainda com uma composição mostrando serviços subjacentes pressionados.

Na Zona do Euro, os dados de inflação mostraram avanço no índice cheio, ficando em 3,3% A/A, devido à alta de preços de energia, mas vieram mais baixos que esperado no núcleo, em 2,4% A/A no dado referente a agosto.

Os índices qualitativos de confiança surpreenderam positivamente no mês, com o ZEW, IFO e Sentix ficando nos maiores níveis desde o começo da guerra entre Irã e EUA.

As falas de membros do ECB seguiram indicando que uma alta de juros seria provável na próxima reunião, que ocorrerá em setembro.

Na China, os dados de atividade referentes a julho surpreenderam negativamente.

A produção industrial diminuiu de 5,3% A/A no mês anterior para 4,5% A/A em julho, abaixo do esperado (5,0%).

Movimento semelhante ocorreu com as vendas no varejo (0,6% A/A em julho, contra 1,0% A/A no mês anterior e 1,5% A/A esperado).

Os índices de gerentes de compras (PMIs) ficaram mais baixos também em julho, e os índices de manufatura divulgados referentes a agosto mostraram recuperação apenas parcial, com o índice oficial (NBS) ainda ficando abaixo de 50 (patamar que indica contração da atividade).

A reunião da NDRC (Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento) no final do mês indicou que a atividade mais fraca é fonte de preocupação para o governo.

Os dados de atividade nos EUA seguem mostrando economia vigorosa.

O PIB do 2º tri não teve revisão no dado geral (mantido crescimento de 1,5% T/T anualizado), mas a demanda privada interna (consumo e investimento) foi revista para cima, de 4,0% T/T anualizado para 4,2%.

A criação de empregos em julho foi mais baixa que esperado (-23 mil contra expectativa de 80 mil), o que contribuiu para a diminuição da chance de alta de juros em setembro antes do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole




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