Enquanto você espera pela divulgação do PIB, agendada para 3 de março, o
IBGE, responsável por realizar o cálculo, passa por uma turbulência.
Para entender o que está acontecendo com a instituição, é preciso voltar
algumas casas.
📅 O ano é 2024. A direção do IBGE anunciou a criação da fundação IBGE+,
que abriria margem para a captação de recursos privados para a realização de
trabalhos.
O projeto, no entanto, incomodou o sindicato dos servidores (Assibge) e
o corpo técnico, que reclamaram da falta de diálogo para elaborá-lo. Ele nunca
saiu do papel e foi suspenso em janeiro de 2025.
Nos meses seguintes, o descontentamento continuou. Funcionários
questionaram um acordo de cooperação técnica entre o IBGE e o Serpro (Serviço
Federal de Processamento de Dados), argumentando que a medida poderia ameaçar a
integridade dos dados do instituto.
Além disso, uma proposta de revisão do estatuto também incomodou os
servidores. Eles afirmaram que a mudança abre margem para concentração de poder
na presidência.
Em 2026, o caldo engrossou. Em 19 de janeiro, a direção comunicou a
exoneração de Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE
—departamento responsável pelo cálculo do PIB.
Depois disso, outros três servidores do setor entregaram os cargos,
movimento interpretado como uma demonstração de solidariedade a Rebeca.
Em 28 de janeiro, a presidência do instituto anunciou outra troca. Ana
Raquel Gomes da Silva, da Gerência de Sistematização de Conteúdos
Informacionais, que revisa as publicações do IBGE, também foi exonerada.
↳ O sindicato chamou a decisão de
"mais uma medida retaliatória" e falou em "caça às bruxas".
A crise também é externa. Opositores ao governo usam as redes sociais
para manifestar suas dúvidas sobre os dados apurados pelo órgão e falam em uma
suposta manipulação dos números a favor da gestão Lula.
Marcio Pochmann é o atual presidente do instituto e foi indicado pelo
petista. Ele é criticado pela oposição e por nomes do mercado financeiro, que o
acusam de ser "ideológico" à esquerda.
Um levantamento da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV
(Fundação Getúlio Vargas) avaliou as postagens com menções ao IBGE no X
(ex-Twitter) em 2024.
Segundo a análise, a "direita descredibiliza dados positivos
divulgados pelo instituto a partir de críticas direcionadas à direção de
Pochmann".
FOLHA MERCADO