Nova geração de idosos reinventa a velhice e faz da
aposentadoria um recomeço
- Pessoas acima de 60 anos perdem tabus e passam a viver diferente;
uns tatuam-se, outros viajam, aprendem novos idiomas e vivem paixões
- Chamado de Nolt nas redes sociais, movimento descreve nova forma de
passar pela maturidade, marcada por autonomia e novas estéticas
"São idosos que rejeitam a ideia de que envelhecer significa,
necessariamente, desacelerar ou se retirar da vida."
Pacientes chegam ao consultório com relógios
inteligentes monitorando sono e frequência cardíaca, perguntam
sobre arritmias detectadas por aplicativos e pedem validação médica para planos
de treino retirados de vídeos.
Mulheres de 70 anos em programas de musculação
deixaram de ser exceção.
"Hoje o idoso quer fazer parte da decisão do
tratamento dele, quer saber o porquê que ele tá tomando aquele remédio, para
que serve aquele exame", afirma Alexandre Romanos, geriatra assistente da
USP (Universidade de São Paulo). Para ele, o engajamento aumenta a adesão a
tratamentos e a mudanças de estilo de vida.
Algo
que os consultórios de geriatria têm registrado com frequência: uma geração de
pessoas acima dos 60 anos que reorganizou prioridades e passou a tomar decisões
que, em outras épocas, seriam consideradas fora do lugar.
Esse
movimento ganhou nas redes sociais o nome de Nolt, acrônimo para new older living
trend (nova tendência de viver a maturidade, em tradução livre).
Envelhecer não
é um problema, até porque é inevitável.
O que muda é como lidar com a passagem
do tempo.
FOLHA DE SÃO PAULO