Entre o alívio global da reabertura do Estreito de
Ormuz e o estímulo doméstico.
Nos últimos dias, o cenário global trouxe um
importante alívio com a normalização do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz,
que provocou queda nos preços do petróleo e descompressão generalizada de
riscos.
Esse movimento melhora o ambiente inflacionário global e levanta o
debate sobre se a inflação para 2026 já teria atingido seu pico.
A retirada do
"risco petróleo" do horizonte é vista de forma positiva, pois ajuda a
romper uma dinâmica na qual revisões altistas sucessivas nos preços retroalimentavam
o pessimismo e a desancoragem das expectativas.
Apesar da melhora externa, o ambiente econômico
brasileiro não sinaliza um espaço confortável para retornar ao patamar de juros
mais baixos do passado.
Dados robustos do PIB do primeiro trimestre de 2026 e a
resiliência do mercado de trabalho indicam que a economia segue especialmente
forte, operando muito próxima de sua capacidade máxima.
Essa maior tração da
atividade econômica foi recentemente destacada pelo Banco Central em seu
Relatório de Política Monetária, que revisou a estimativa do chamado hiato do
produto.
Somado ao forte dinamismo econômico corrente, o
anúncio e a implementação de múltiplas medidas de estímulo fiscal e parafiscal
têm impulsionado as projeções para o desempenho da economia à frente.
Esses
incentivos estatais colocam em dúvida o ritmo de desaceleração da atividade e,
consequentemente, tornam a trajetória de desinflação futura mais incerta.
Com
isso, o cenário inflacionário permanece complexo e restringe o espaço para uma
flexibilização de juros agressiva.
Neste contexto, as expectativas de inflação de
horizontes mais longos continuam com assimetria altista, tornando as
justificativas para o atual ciclo de calibração da taxa Selic cada vez mais
frágeis e gerando questionamentos sobre o compromisso com as metas
estabelecidas.
Assim, seguimos com a visão de que o ciclo atual é questionável,
de modo que continuá-lo não nos parece uma decisão responsável.
Como resultado,
projetamos 14,25% para 2026, o que representaria uma pausa no ciclo atual. Uma
eventual retomada de cortes de juros ficaria estritamente condicionada à
apresentação de um plano de ajuste fiscal que seja considerado crível.
Por fim, embora o recuo do petróleo tenha elevado a
probabilidade de uma flexibilização adicional de curto prazo por parte do Banco
Central, o foco de médio prazo permanece nos riscos fiscais.
Caso os
questionamentos sobre a sustentabilidade das contas públicas persistam, o
debate macroeconômico tende a mudar de direção de forma relevante.
Em vez de
discutir a continuidade dos cortes, o mercado poderá passar a avaliar a
necessidade de futuras altas nos juros para conter as pressões inflacionárias.
Destaques da semana
Brasil
No ambiente doméstico, os grandes destaques são os
dados fiscais (Resultado do Governo Central e Primário), o panorama do mercado
de trabalho, com o Caged, e dados de produção industrial.
• Segunda-feira: Relatório Focus;
Resultado do Governo Central (maio); IGP-M (junho).
• Terça-feira: Caged (maio);
Resultado Primário (maio).
• Quarta-feira: Fenabrave
(junho); S&P Global PMI Industrial (junho); IPC-S CPI (4ª semana de junho);
Dados de Crédito (maio).
• Quinta-feira: FIPE CPI (junho).
• Sexta-feira: Produção
Industrial (maio); S&P Global PMI Serviços (junho); Balança Comercial
(junho).
Estados Unidos
A agenda norte-americana foca fortemente no mercado
de trabalho, com a aguardada divulgação do Payroll, relatório ADP, JOLTS e
pedidos de seguro-desemprego. Além disso, a semana traz importantes índices de
atividade (PMIs, ISM e regionais do Fed), dados do setor de bens duráveis e
construção, bem como discurso do novo presidente do Fed, Kevin Warsh.
• Segunda-feira (29): Índice de
Atividade da Indústria do Fed Dallas (junho).
• Terça-feira (30): JOLTS (maio);
Confiança do Consumidor - Conference Board (junho); Índice de Atividade de
Serviços do Fed Dallas (junho); Chicago PMI (junho).
• Quarta-feira (01): ADP (junho);
ISM Manufatura (junho); S&P Global PMI Industrial (junho); Gastos com
Construções (maio); discurso de Kevin Warsh (Fed).
• Quinta-feira (02): Payroll
(junho); Taxa de Desemprego (junho); Pedidos de Bens Duráveis (final de maio);
Pedidos de Máquinas (maio); Pedidos de seguro-desemprego Semanal.
• Sexta-feira (03): Sem
indicadores relevantes previstos na agenda.
Europa
Na Europa, a semana concentra uma agenda intensa de
discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE). Nos dados, destacam-se
as prévias de inflação (CPI) da Alemanha e da Zona do Euro, dados de emprego,
PIB do Reino Unido e uma bateria de PMIs Industriais e de Serviços das
principais economias da região.
• Segunda-feira: Discurso de
Christine Lagarde (BCE).
• Terça-feira: Discursos de
Philip R. Lane, Isabel Schnabel, Frank Elderson e Boris Vujčić (BCE); CPI da
Alemanha (prévia de junho); PIB do Reino Unido (1º trimestre de 2026); Vendas
no Varejo da Alemanha (maio).
• Quarta-feira: Discursos de
Christine Lagarde, Philip R. Lane, Piero Cipollone e Boris Vujčić (BCE); CPI da
Zona do Euro (prévia de junho); S&P Global PMI Industrial da Zona do Euro,
Reino Unido e Alemanha (junho).
• Quinta-feira: Discurso de Piero
Cipollone (BCE); Taxa de Desemprego da Zona do Euro (maio).
• Sexta-feira: Discursos de
Christine Lagarde, Joachim Nagel e Gabriel Makhlouf (BCE); Discurso de Andrew
Bailey (BoE); S&P Global PMI Serviços do Reino Unido, Zona do Euro e
Alemanha (junho).
Ásia
AA agenda asiática apresenta indicadores de peso do
Japão, incluindo vendas no varejo, produção industrial e PMIs de indústria e
serviços. Na China, o foco está nas leituras do setor industrial através dos
índices PMI.
• Segunda-feira: Vendas no Varejo
do Japão (maio).
• Terça-feira: PMI Industrial da
China (junho); Produção Industrial do Japão (prévia de maio).
• Quarta-feira: S&P Global
PMI Industrial do Japão (junho).
• Sexta-feira: RatingDog PMI da
China (junho); S&P Global PMI Serviços do Japão (junho).
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