SAÚDE 1


Ex-assessor de Fauci se declara culpado de ocultar documentos sobre Covid nos EUA

  • Caso envolve subsídios a estudos sobre coronavírus de morcegos
  • Audiência ocorre após Fauci se negar a depor ao Senado dos Estados Unidos

Nesta terça-feira (18), um ex-assessor de Anthony Fauci, cientista que liderou a resposta dos Estados Unidos à Covid durante a pandemia, declarou-se culpado de conspirar para burlar leis de acesso a registros públicos e ocultar documentos governamentais relacionados ao financiamento de pesquisas e à pandemia de Covid-19.

David Morens, que trabalhou sob o comando de Fauci como funcionário de alto escalão do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês) durante a pandemia, declarou-se culpado da acusação de conspiração em uma audiência no tribunal federal de Greenbelt, em Maryland.

Morens, de 78 anos, havia sido indiciado em abril por acusações relacionadas ao que os promotores descreveram como um esquema para frustrar pedidos de acesso a registros públicos recebidos pela agência a partir de abril de 2020 e relacionados a subsídios para pesquisas sobre a Covid-19.

Ele pode ser condenado a até cinco anos de prisão quando sua sentença for proferida em 12 de novembro.

As origens da Covid-19 permanecem sem esclarecimento. Em 2023, o FBI afirmou que um vazamento de um laboratório de Wuhan é a causa provável da pandemia, alegação que a China disse não ter "credibilidade alguma".

Em janeiro de 2025, a CIA afirmou que um vazamento de laboratório era possível, mas com "baixo grau de confiança", enquanto outras quatro agências de inteligência dos EUA e o Conselho Nacional de Inteligência acreditam que o vírus surgiu por transmissão natural a partir de algum animal.

Os promotores disseram que a declaração de culpa de Morens estava relacionada à decisão dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) de cancelar um subsídio para pesquisas sobre coronavírus de morcegos, com base em alegações de que a Covid-19 teria surgido no laboratório de Wuhan. O laboratório, sediado na China, havia recebido parte dos recursos da empresa contemplada com o subsídio.



FOLHA DE SAO PAULO
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